Senador afirma que repasses federais ao Carnaval configuram promoção pessoal em ano eleitoral e aponta possível violação da Constituição.
O senador Sergio Moro fez duras críticas ao desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval de 2026 Segundo o parlamentar, houve uso indevido de recursos públicos para promover a imagem do chefe do Executivo em pleno ano eleitoral.
“Olha só que absurdo nesse Carnaval. O Governo Federal destinou 1 milhão de reais para fazer lá na Sapucaí promoção e publicidade para o Lula”, declarou Moro. Para ele, a homenagem configuraria campanha antecipada financiada com dinheiro público.
“Por que isso é errado? Por que é dinheiro público, não pode ser destinado quando falta dinheiro na saúde, na educação, na segurança pública.”
O senador argumenta que, além da destinação de recursos em um cenário de carências nas áreas de saúde, educação e segurança, o episódio afrontaria o artigo 37 da Constituição Federal, que proíbe a promoção pessoal de autoridades em publicidade institucional.
“Nós estamos em ano eleitoral, isso é uma campanha eleitoral antecipada com dinheiro público. A Constituição Federal é clara, lá no artigo trinta e sete, parágrafo primeiro, ela diz: ‘Publicidade do governo não pode envolver qualquer espécie de promoção pessoal da autoridade no Poder’. A Constituição está sendo violada claramente”, afirmou.
Omissão dos escândalos
De acordo com Moro, o governo teria distribuído verbas a diversas escolas de samba do Rio de Janeiro, mas com repasse específico à agremiação responsável pelo enredo em homenagem ao presidente. Na avaliação do senador, a medida teria servido para “disfarçar” a promoção pessoal. O parlamentar também criticou o conteúdo do desfile, afirmando que houve omissão de escândalos.
“Eu fiquei ali pensando quando que iria aparecer um carro da Odebrecht ou ainda uma referência ao Sítio de Atibaia pra ficar apenas em dois exemplos. Um desfile de escola de samba financiado pelo próprio Governo Federal enaltecendo o Lula, omitindo os vários escândalos de corrupção, Mensalão, Petrolão, e agora desse próprio governo, como do INSS e do Banco Master”, publicou em suas redes sociais.
Para Moro, a apresentação ainda teria sido utilizada para atacar adversários políticos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Pode até não gostar do Bolsonaro, mas não pode utilizar dinheiro público e desfile de escola de samba para atacar adversário político”, declarou.
Moro classificou o episódio como um espetáculo deprimente. “Esse foi um dos episódios mais baixos de abuso de poder político na história da nossa República e mostra o caminho perigoso que o Brasil está tomando sob o comando desse indivíduo chamado Lula da Silva.”
Destaque – Carnaval 2026 – Marquês de Sapucaí – Grupo Especial – Acadêmicos de Niterói – Foto: Alexandre Macieira | Riotur



