O escândalo financeiro da venda do Banco Master pode ser a gota d’água para o começo do fim da ditadura do ministro, em que a corda cada vez mais aperta o laço. Parlamentares querem investigar o envolvimento do ministro do STF na fraude.
O ministro Alexandre de Moraes está na corda bamba. Suspeita-se que tenha extrapolado os limites do próprio sistema que o criou. Nesta segunda-feira (29), o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), afirmou em seu perfil no X que mais de 50 deputados da oposição se dirigiam a Brasília-DF, para avançar nas assinaturas do pedido de impeachment de Moraes.
“Chegando em Brasília para protocolar o pedido de impeachment de Moraes. Atualizações sobre a CPMI do Banco Master.” De acordo com o parlamentar, já são 150 assinaturas. “Hoje nós vamos protocolar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes por envolvimento com a fraude do Banco Master. Cerca de 50 deputados estão vindo para cá, interrompendo seus recessos para dar uma resposta à população diante dessa fraude bilionária, um calote de um banqueiro que, inclusive, tem como advogada a esposa do ministro Alexandre de Moraes”.
Centro do escândalo
Afirmando possuir as assinaturas necessárias, Jordy diz que pretende pedir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso da liquidação do Banco Master. Liquidação essa que está sob a relatoria de outro ministro do STF, Dias Toffoli, que, por sua vez, toma medidas extraordinárias para segurar o escândalo.
Juristas são unânimes ao afirmar que a decisão de Toffoli em fazer uma acareação entre o dono do Banco Master, o ex-presidente do BRB e o diretor de fiscalização do Banco Central é algo sem precedentes. “Toffoli coloca o fiscalizador na condição de investigado. Estaria ele querendo anular a decisão que decretou a falência do Banco Master?” Questiona o parlamentar.
Toffoli figura entre os principais personagens de mais um escândalo financeiro no Brasil. O formato parece comparável a um daqueles filmes do tipo Miami Vice. Porém, é real. Depois da prisão de Daniel Vorcaro, do Banco Master, o ministro foi sorteado para relatar o caso e viajou para Lima, Peru, a fim de assistir à final da Copa Libertadores de um jatinho; em sua companhia, o advogado de um dos líderes do banco investigado. Daí em diante, Toffoli marcou uma acareação no inquérito, algo que, de tão incomum, recebeu a desaprovação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Mas ele manteve sua decisão e o sigilo máximo do processo.
Contrato milionário
Este é mais um dos escândalos em gestões que supostamente envolvem direta ou indiretamente uma gestão petista no governo brasileiro — vale lembrar das fraudes do INSS e da blindagem de familiares ligados ao presidente, pessoas presas por se manifestarem, presidente preso sem provas, etc. Apesar do distanciamento, os fatos se repetem, como no Petrolão, Mensalão e entre outros fatos, o rombo financeiro que está corroendo as contas públicas. Um desastre de corrupção e financeiro atrás do outro.
Chegando agora de forma avassaladora à Suprema Corte do país, o escândalo do Banco Master escancara ainda mais a vergonha de quem deveria dar exemplo.
A suspeita é de que o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, e seus filhos tinha um contrato com o Banco Master que previa o pagamento de 129 milhões em três anos, de acordo com uma das provas apreendidas pela Polícia Federal durante a operação Compliance Zero. O documento previa a defesa do banco e de seu dono, Daniel Vorcaro, perante órgãos como Banco Central, Receita Federal, Congresso Nacional, Ministério Público, Polícia Federal e Judiciário.
Destaque – Dep. Carlos Jordy (PL – RJ). Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados



