Desespero? A batalha para salvar o Master e os envolvidos no escândalo financeiro bilionário do ano — até o momento.


O dia 16 de janeiro começa com uma lembrança. Em 2023, o ministro Dias Toffoli da Suprema Corte brasileira, o Supremo Tribunal Federal (STF), livrou a J&F do pagamento de uma multa no valor R$ 10,3 bilhões prevista no acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal. A J&F é o braço de investimentos da JBS dos irmãos delatores Joesley e Wesley Batista do esquema de corrupção que envolveu e condenou em todas as instâncias, o presidente do Brasil, Luiz Inácio da Silva, o Lula, na Operação Lava Jato e outros políticos graúdos, como Aécio Neves, Eduardo Cunha e mais de 1.800 políticos com verbas de campanhas na faixa de 500 milhões; a história é longa.

Neste momento, a operação Compliance Zero, em que a Polícia Federal (PF) apura as evidências das fraudes no Banco Master, ficou clara outra interferência dos irmãos Joesley e Wesley na política, alcançando o caso Master.

Revolta com vazamento de dados

Revoltado com o vazamento dos seus dados e de sua família, o ministro Alexandre de Moraes determinou nesta quarta-feira (14), a abertura de inquérito para investigar se o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) vinculado administrativamente ao Banco Central (BC) e à Receita Federal estariam fornecendo informações à imprensa. O inquérito inclui também o vazamento de dados do ministro Dias Toffoli, relator do caso Master.

Segundo os levantamentos de mais essa reviravolta nas fraudes bilionárias que envolvem o Master, a venda de uma fatia do resort Tayayá, no interior do Paraná, tinha como acionistas os dois irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, um primo de Dias Toffoli e um fundo que fazia parte da rede montada por Vorcaro, o dono do banco. Com a venda, por R$ 4 milhões, o resort passou a ser controlado pela J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, através de um dos seus advogados.

O tabuleiro da batalha

Tudo acontece entre os dias 14 e 15 de janeiro. Se Moraes está supostamente envolvido no caso Master, isso o deixa em maus lençóis e amplia suas chances de sofrer impeachment. No entanto, na mesma situação, Dias Toffoli pode estar envolvido mais profundamente, até os ossos. Desespero ou excesso de confiança, ele trava uma batalha contra o Banco Central e a PF. Na vanguarda da luta está envolvendo o Tribunal de Contas da União (TCU), a Procuradoria-geral da República (PGR) e o próprio STF. Dessa forma também se aproxima ainda mais de um possível impeachment.

Depois do ataque à PF, acusando a instituição de “inércia” e classificando o levantamento feito como “falta de empenho”, sem motivos aparentes, determinou que todo o material e provas fossem trancafiados no STF, provocando a reação do diretor-geral, Andrei Rodrigues, e dos delegados da PF.

Pressionado, aceitou a solicitação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que os materiais fossem entregues à PGR. O tabuleiro estava composto. Inquérito sobre os vazamentos das informações, a desarticulação do trabalho do PF e as provas vindas para mais perto de si. Afinal, PGR e STF estão na mesma vanguarda.

Os inimigos

Faltava um componente, a auditoria do TCU no BC para tentar encontrar os motivos que levaram a toda essa confusão, ou seja, a liquidação do Banco Master de Daniel Vorcaro, por fraude bilionária. Depois de alguns entreveros TCU e BC se entenderam para que houvesse a tal auditoria.

Porém, o auditor deve ser o ministro Jhonatan de Jesus que se empenha para provar que o Master foi vítima do BC no processo de liquidação. Da trincheira, o BC manda outra ofensiva e liquida, no mesmo dia 15, a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários de João Carlos Mansur, antiga Reag Trust DTVM, por “graves violações às normais que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”. Essa é a empresa administradora do fundo que era sócio dos parentes de Dias Toffoli no resort Tayayá.

As decisões de Toffoli afastam os materiais e as provas dos próprios investigadores que as obtiveram.

É importante lembrar que Vorcaro tinha um contrato com o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, no valor de 129 milhões. Viviane Barci e seus filhos já teriam recebido R$ 3,6 milhões desde do início de 2024. O contrato foi encontrado no celular de Vorcaro. O imbróglio continua, as reviravoltas também.


Destaque – Ministro Dias Toffoli do STF. Foto: Carlos Moura / STF / arquivo


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