Ministro os condenou por “tentativa de golpe” e pelas demais acusações.


O ministro Flávio Dino, que integrou a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da Ação Penal 2668, votou na terça-feira (9) e seguiu o relator, condenando os oito réus acusados de tentar um golpe de Estado para impedir a posse do governo eleito em 2022.

Assim como o relator, ministro Alexandre de Moraes, Flávio Dino defendeu a condenação de todos os réus pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito e golpe de Estado. Com exceção do réu Alexandre Ramagem, que teve parte da ação penal suspensa pela Câmara, os ministros também votaram para condenar os demais pelos crimes de dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.

Condenações e participação

Em seu voto, Flávio Dino listou as condutas imputadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) a todos os réus da ação, como base de seu voto pela condenação. Contudo, fez uma ressalva em relação ao relator, pois apontou uma participação de menor importância para três deles: Alexandre Ramagem, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira.

Dino destacou que há uma “absoluta normalidade” em relação aos critérios técnicos do julgamento. “Há argumentos pessoais, agressões, coações, ameaças até de governos estrangeiros”, afirmou. “Não há julgamento aqui de uma posição política A ou B, até porque há investigações no STF com políticos de todos os partidos, conduzidas de modo igualitário.”

As investigações a que se refere também tratam de políticos como Carla Zambelli, entre outros que foram processados por se manifestarem contra as ações de perseguições políticas por parte do ministro Alexandre de Moraes.

Divergência

O ministro também defendeu que os atos apontados na denúncia não foram apenas “atos preparatórios”, mas fizeram parte da execução da tentativa de golpe. Segundo Dino, houve materialmente o início da execução do núcleo dos crimes, que prevê a punição pela tentativa de cometimento.

Em divergência, o ministro Luiz Fux não vê da mesma forma, já que os atos nos Três Poderes não podem ser atribuídos aos réus.

Outro ponto ressaltado pelo ministro foi a presença de violência e grave ameaça nos atos praticados. Ele citou, entre outros, a invasão violenta da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro de 2023, o rompimento de barreiras policiais, o acampamento em frente a quartéis, a ameaça de não cumprir ordens judiciais, o desfile de tanques, o bloqueio de rodovias federais e os ataques à sede da Polícia Federal.

O ministro Dino, considerou que as manifestações populares em frente aos quartéis fizeram parte de um plano maior, quando na verdade tratava-se da indignação da população brasileira de reviver a corrupção da qual foi vítima no passado, durante as gestões do PT e sua base aliada. O que de fato vem ocorrendo no país novamente. As eleições de outubro de 2022, com Lula candidato, causaram grande comoção nacional, cuja ‘culpa’ foi atribuída aos inimigos políticos que agora serão encarcerados.


Destaque – Ministro Flávio Dino participa dos julgamentos da Ação Penal 2668 – Núcleo 1. Foto: Sophia Santos/STF


Leia outras matérias desta editoria

Datafolha: Lula mantém vantagem no 1º turno, mas diferença para Flávio Bolsonaro é a menor desde maio

Pesquisa aponta empate técnico na simulação de 2º turno, consolidação do eleitorado e estabilidade do quadro geral mesmo com a presença de Pablo Marçal. A exatos 22 dias do primeiro turno das Eleições 2026 — marcado para 4 de outubro —, o mais recente...

André Mendonça atende Fachin e derruba sigilo de investigações do Banco Master no STF

Decisão torna públicas as apurações da Polícia Federal e disponibiliza relatórios completos aos gabinetes dos ministros antes do julgamento marcado para 15 de setembro. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu o pedido...

OAB DF aprova propostas de impeachment de Moraes e Toffoli do STF

Conselho Pleno da seccional do Distrito Federal pede afastamento cautelar, fim do sigilo em apurações e arquivamento do Inquérito das Fake News. O Conselho Pleno da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) aprovou, em sessão...

Cerca de 3 mil entidades assinam manifesto por transparência no STF

Documento defendido por setores que representam 90% do PIB cobra julgamento público e urgente de episódios recentes envolvendo a Corte. Um grupo composto por cerca de 3 mil entidades representativas de todas as regiões do país e responsável por...

CNI alerta que crises institucionais ameaçam a estabilidade e o desenvolvimento do Brasil

Em artigo, Ricardo Alban defende reação institucional transparente e rigorosa para restaurar a confiança nos Poderes. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio de seu presidente, Ricardo Alban, manifestou extrema preocupação com o impacto dos...

FecomercioSP reforça engajamento em manifesto do setor produtivo e apoia mobilização digital nacional

FecomercioSP reforça engajamento em manifesto do setor produtivo e apoia mobilização digital nacional. Entidade paulista destaca criação de portal público para adesão de cidadãos e reforça que a autoridade do Judiciário depende de decisões transparentes. A...

OAB SP lança manifesto articulado com seccionais e entidades civis pela reforma do Judiciário

Iniciativa em conjunto com OAB-RJ, OAB-PR, UNE e Transparência Brasil cobra sessão pública no STF e propõe Código de Conduta e mandato para ministros. A Seção de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB SP) lançou o manifesto “Em Defesa da Justiça e...