Domingo, 16 de agosto de 2026


Telescópio Espacial Nancy Grace Roman

Telescópio espacial Nancy Grace Roman inaugura nova era da Astronomia


Com um campo de visão 100 vezes maior que o do Hubble, o novo observatório da NASA investigará a energia escura e realizará um censo inédito de exoplanetas.

A exploração espacial está prestes a dar um de seus saltos mais ambiciosos. A NASA prepara os últimos detalhes para o lançamento do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, um observatório de última geração projetado para responder a algumas das perguntas mais profundas da astrofísica moderna: do que é feito o Universo, como ele se expande e quão comuns são os planetas semelhantes à Terra fora do nosso Sistema Solar.

O lançamento está programado para ocorrer no dia 30 de agosto de 2026, decolando do Complexo de Lançamento 39A no Centro Espacial Kennedy, na Flórida (EUA). A missão será levada ao espaço a bordo de um poderoso foguete Falcon Heavy, da SpaceX, rumo à sua órbita operacional no Ponto de Lagrange L2, situado a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra.

 

 

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Uma visão de panorama: 100 vezes o campo de visão do Hubble

Embora o Nancy Grace Roman possua um espelho primário de 2,4 metros de diâmetro — exatamente o mesmo tamanho do espelho do lendário Telescópio Espacial Hubble —, a semelhança para por aí. A grande revolução tecnológica do Roman está na sua capacidade de mapeamento panorâmico.

Enquanto o Hubble e o Telescópio Espacial James Webb capturam imagens com detalhes extraordinários em áreas focadas do céu (o equivalente a olhar para o cosmos através de um canudo), o instrumento principal do Roman — o Wide Field Instrument (WFI) — possui um campo de visão 100 vezes maior que o do Hubble na faixa do infravermelho próximo.

Em termos práticos, uma única fotografia capturada pelo Roman cobrirá a mesma área celeste que exigiria uma colagem de uma centena de capturas do Hubble, e com a mesma nitidez de resolução. Isso permitirá ao observatório realizar grandes varreduras astronômicas em tempo recorde, criando o primeiro mapa verdadeiramente gigante e tridimensional do nosso cosmos.

Comparação visual demonstrando como uma única imagem do telescópio Roman (grade maior) abrange uma área 100 vezes superior ao campo de visão tradicional do Hubble (quadrado menor). Imagem: NASA / STScI

A “Mãe do Hubble”: Por que o telescópio recebeu este nome?

Batizado originalmente como WFIRST (Wide Field Infrared Survey Telescope), o observatório foi oficialmente renomeado pela NASA em homenagem à dra. Nancy Grace Roman (1925–2018), uma pioneira incontestável da astronomia moderna.

Conhecida carinhosamente na comunidade científica como a “Mãe do Hubble”, a dra. Roman foi a primeira mulher a ocupar um cargo executivo na NASA, atuando como a primeira Chefe de Astronomia da agência espacial entre as décadas de 1960 e 1970. Foi graças ao seu papel de liderança, defesa técnica e articulação junto ao Congresso americano que o programa do Telescópio Espacial Hubble saiu do papel e se tornou realidade.

Homenagear a astrônoma com um telescópio que expandirá o legado do próprio Hubble celebra sua contribuição histórica para a ciência mundial.

Nancy Grace Roman, retratada aqui no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA por volta de 1972, foi a primeira executiva e a primeira Chefe de Astronomia da agência. Créidto: NASA

Os três pilares da missão: Energia Escura, Exoplanetas e Astrofísica

Equipado com dois instrumentos principais — o Wide Field Instrument (WFI) e o inovador Coronagraph Instrument (CGI) —, o telescópio atuará em três frentes científicas cruciais:

1 – O enigma da energia escura: Cerca de 68% do Universo é composto por energia escura, uma força misteriosa que está acelerando a expansão do cosmos. O Roman medirá as posições e distâncias de bilhões de galáxias ao longo do tempo profundo, criando um mapa 3D que ajudará os cientistas a entender se a energia escura é constante ou se muda com o tempo.

2 – Censo estatístico de exoplanetas: Utilizando a técnica de microlente gravitacional — na qual a gravidade de uma estrela em primeiro plano funciona como uma lente de aumento para a luz de uma estrela ao fundo —, o telescópio detectará milhares de planetas fora do nosso Sistema Solar, incluindo mundos distantes de suas estrelas parentes e planetas “órfãos” vagando sozinhos pelo espaço.

3 – Tecnologia coronagráfica de ponta: O instrumento CGI usará um sistema avançado de máscaras e espelhos deformáveis para bloquear a luz ofuscante de estrelas próximas, permitindo fotografar diretamente planetas gasosos e discos de poeira ao seu redor, em uma demonstração tecnológica que pavimentará o caminho para futuras buscas por vida extraterrestre.

 

Crédito: NASA/Jenny Mottar

Entenda em animação como a tecnologia do telescópio Roman permitirá mapear o Universo em escala nunca antes vista.

Bastidores e construção: Uma obra-prima da engenharia terrestre

Construir um observatório espacial deste porte exigiu mais de uma década de trabalho coordenado pelo Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Maryland, com contribuições de parceiros acadêmicos e industriais de todo o mundo. A montagem exigiu testes rigorosos em câmaras de vácuo térmico e centrífugas gigantes para garantir que o espelho, o escudo solar e os instrumentos suportem as vibrações do lançamento e as temperaturas extremas do espaço.

 

 

Assista ao vídeo que ilustra de forma impressionante a diferença entre o campo de visão do Hubble e a varredura panorâmica que o novo telescópio trará (ative a tradução automática de legendas para o seu idioma):

Assista ao registro que mostra o processo de integração e montagem das peças do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman nas salas limpas da NASA.

A jornada de construção e montagem

Este vídeo retrata o esforço contínuo de montagem de cada componente do telescópio Roman no Centro de Voos Espaciais Goddard, destacando a complexidade tecnológica antes do envio ao local de lançamento.

 

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DIÁRIO DE BORDO
Leia as notícias e acompanhe os preparativos para o lançamento do Telescópio espacial Nancy Grace Roman da NASA


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