Investigação aponta que ao menos três militares prestaram segurança privada a empresa de ônibus usada para lavagem de dinheiro do crime organizado.
A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo deflagrou, na manhã desta quarta-feira (4), uma operação para apurar o envolvimento de policiais militares na prestação ilegal de serviços de segurança privada a uma empresa de ônibus suspeita de ligação com uma facção criminosa que atua na capital paulista. Ao todo, são cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão contra os investigados.
As investigações identificaram a participação de pelo menos três policiais militares no esquema. Segundo a apuração, os agentes teriam atuado na segurança pessoal e patrimonial do proprietário da empresa investigada entre os anos de 2020 e 2024, prática proibida pelas normas internas da corporação.
A operação é resultado de uma investigação instaurada após o compartilhamento de provas reunidas em um processo que apura crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores, que tramita na 2ª Vara de Crimes Tributários e Organização Criminosa da Capital.
As informações surgiram a partir dos desdobramentos da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com a Polícia Militar, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Receita Federal.
A investigação revelou a existência de duas empresas de ônibus utilizadas para a lavagem de recursos ilícitos provenientes de uma facção criminosa envolvida em crimes como tráfico de drogas, roubos e outras atividades ilegais. As concessionárias eram responsáveis pelo transporte diário de milhões de passageiros na capital paulista, sem que as irregularidades fossem detectadas até então.
A análise do material compartilhado também apontou a participação direta de policiais militares na gerência e na execução dos serviços de segurança das empresas, além da proteção pessoal de suspeitos identificados como integrantes da facção criminosa e alvos da Operação Fim da Linha.
Destaque – A análise do material compartilhado apontou ainda a participação direta de policiais militares na gerência e na execução da segurança das empresas Foto: Governo de SP



