Suspeitas levantadas pela Polícia Federal colocam o ministro do STF como sócio de um fundo do banco; oposição pressiona com pedidos de impeachment e novos desdobramentos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
Depois da avalanche de denúncias na imprensa, pedidos de impeachment e apesar da tentativa de blindagem pelos demais magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso Master no dia 12 de fevereiro. Em seu lugar assumiu o ministro André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Operador jurídico do PT, depois de ser reprovado duas vezes no concurso para juiz de primeira instância em São Paulo, sua indicação ao STF foi feita por Lula, lembrou a Gazeta do Povo nesta sexta-feira (20). Toffoli tem outra mácula em sua carreira. Durante a Operação Lava Jato, foi revelado em documentos da Odebrecht que seu apelido era “O amigo do amigo de meu pai”, enquanto Lula tinha um apelido mais resumido: “amigo do pai”. O pai era Emílio Odebrecht, patriarca do grupo.
Diversos executivos e pessoas ligadas à construtora, que foi rebatizada de Novonor, foram presos. Delator do esquema de corrupção que envolveu e condenou o atual presidente da República, desvendado pela Lava Jato, o presidente Marcelo Odebrecht foi preso em 2015 e, após período na prisão até 2013, um acordo com o Ministério Público Federal possibilitou prestação de serviços comunitários, feitos no Hospital das Clínicas da USP.
Ganhando tempo: depoimento de Vorcaro é cancelado
Nesta terça-feira (23), o banqueiro Daniel Vorcaro prestaria depoimento à CPMI do INSS e poderia fazer revelações comparáveis àquelas da Lava Jato e acordos de delação com a Polícia Federal (PF) para se livrar de penas de prisão mais rígidas. Mas, depois de declarações do ministro André Mendonça de que não é obrigado a comparecer, ele desistiu. A confirmação foi feita ontem (20), pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ao Metrópoles.
De acordo com revelações da PF divulgadas nesta semana pela revista Piauí e confirmadas pela CNN, investigadores das fraudes do Banco Master colocaram em suspeita o ministro Dias Toffoli, por ter praticado crime de corrupção passiva, apesar de que ainda não está sendo investigado formalmente.
O levantamento da PF aponta para uma suposta sociedade de Toffoli no fundo Marídite ligado a seus familiares. De acordo com Débora Bergamasco e Matheus Teixeira, repórteres da emissora, os investigadores devem solicitar ao STF a quebra de sigilo desse fundo. Ainda de acordo com a PF, Vorcaro se encontrou com o magistrado pelo menos 12 vezes entre os anos 2023 e 2025.
Partidos de oposição como o PL e o Novo, que já protocolaram pedidos de impeachment do ministro Dias Toffoli, afirmam que a permanência de Toffoli no STF é insustentável, devido suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro. O adiamento de seu depoimento na CPMI do INSS, leva a crer que seja mais uma forma de ganhar tempo e protelar o encontro com deputados e senadores no Congresso.
Destaque – Os ministros do STF, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, durante a abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil



