Por Pat Brennan / NASA / Jet Propulsion Laboratory – Caltech
Quando falamos sobre a enormidade do cosmos, é fácil mencionar números grandes, mas é muito mais difícil compreendermos o quão grandes, distantes e numerosos são realmente os corpos celestes.
Para termos uma noção melhor, por exemplo, das distâncias reais até os exoplanetas – planetas ao redor de outras estrelas (fora do nosso sistema solar) – podemos começar pelo cenário em que os encontramos, a galáxia da Via Láctea.
Dê um salto para anos-luz enquanto viajamos pela Via Láctea para conhecer algumas distâncias, o posicionamento da Terra no espaço e na nossa galáxia. Crédito do vídeo: NASA/JPL-Caltech.
Afinal, o que é uma galáxia?
Nossa galáxia é uma coleção de estrelas gravitacionalmente ligadas, girando em espiral pelo espaço. Com base nas imagens mais profundas obtidas até agora, ela é uma das cerca de 2 trilhões de galáxias no universo observável. Grupos delas estão ligados em aglomerados de galáxias, e estes em superaglomerados; os superaglomerados estão dispostos em imensas camadas que se estendem pelo universo, intercaladas com vazios escuros, conferindo ao conjunto uma espécie de estrutura de teia de aranha. Nossa galáxia provavelmente contém de 100 a 400 bilhões de estrelas e tem cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro. Isso parece enorme, e é, pelo menos até começarmos a compará-la com outras galáxias. Nossa vizinha galáxia de Andrômeda, por exemplo, tem cerca de 220.000 anos-luz de diâmetro. Outra galáxia, a IC 1101, se estende por até 4 milhões de anos-luz.
Ok, tudo bem, mas o que é um ano-luz?
Que bom que perguntou. É uma das medidas celestes mais usadas: a distância que a luz percorre em um ano. A luz viaja pelo espaço interestelar a 300.000 quilômetros por segundo (mais de 66 viagens de um lado ao outro dos Estados Unidos em um segundo). Multiplique isso por todos os segundos em um ano e você terá 9,5 trilhões de quilômetros. Só para referência, a Terra está a cerca de oito minutos-luz do Sol. Uma viagem à velocidade da luz até a extremidade do nosso sistema solar — os confins da Nuvem de Oort, uma coleção de cometas adormecidos muito, muito distantes — levaria cerca de 1,87 anos. Se continuarmos até Proxima Centauri, nossa estrela vizinha mais próxima, chegaremos lá em 4,25 anos à velocidade da luz.
Se você pudesse viajar na velocidade da luz. O que, a menos que você seja um fóton (uma partícula de luz), você não pode e, pelas leis da física atuais, talvez nunca seja possível. Mas estou divagando.
Podemos voltar àqueles… exoplanetas?
Exoplanetas. Vamos falar de números ainda maiores. Primeiro, quantos existem? Com base nas observações feitas pelo telescópio espacial Kepler da NASA, podemos prever com segurança que cada estrela que você vê no céu provavelmente abriga pelo menos um planeta. Na realidade, é mais provável que estejamos falando de sistemas multiplanetários do que de planetas isolados. Em nossa galáxia, com centenas de bilhões de estrelas, isso eleva o número de planetas potencialmente para trilhões. As detecções confirmadas de exoplanetas (feitas pelo Kepler e outros telescópios, tanto no espaço quanto na Terra) já somam mais de 3.900 – e isso considerando apenas pequenas porções da nossa galáxia. Muitos deles são pequenos mundos rochosos que podem ter a temperatura ideal para a formação de água líquida em suas superfícies.
Onde se encontra o exoplaneta mais próximo?
É um pequeno planeta, provavelmente rochoso, orbitando Proxima Centauri – como mencionado anteriormente, a estrela vizinha. Fica a pouco mais de quatro anos-luz de distância, ou 24 trilhões de milhas em linha reta. Se uma companhia aérea oferecesse um voo até lá de jato, levaria 5 milhões de anos para a chegada. Pouco se sabe sobre este mundo; sua órbita próxima e as erupções periódicas de sua estrela diminuem suas chances de ser habitável.
Mais alguma?
Eu também gostaria de chamar a sua atenção para o sistema TRAPPIST-1: sete planetas, todos aproximadamente do tamanho da Terra, orbitando uma estrela anã vermelha a cerca de 40 anos-luz de distância. É muito provável que sejam rochosos, com quatro deles na “zona habitável” – a distância orbital que permite a existência de água líquida na superfície. E a modelagem computacional mostra que alguns têm boas chances de serem mundos aquosos – ou gelados. Nos próximos anos, poderemos descobrir se eles possuem atmosferas ou oceanos, ou mesmo sinais de habitabilidade.
Ok. Obrigado. Preciso ir.
Entendo. Você está com pouco tempo. Isso me lembra: você sabia que o tempo desacelera na presença da gravidade?
Eu sei que está desacelerando agora.
Acho que isso é assunto para outra hora.
Nota da redação:
Este artigo foi escrito por Brennan em 2019. Portanto, os números do telescópio Kepler já foram superados, mas as informações continuam elucidativas para a compreensão do tema que é a enormidade daquilo que convencionamos chamar de Universo. Atualmente a NASA já contabiliza mais de 6.000 exoplanetas. O voo da Artemis II, realizado com grande precisão e controle é um passo para novas descobertas científicas e, no mínimo, uma aventura incrível!
Destaque – Em 2025 celebrou-se 30 anos da descoberta do primeiro exoplaneta. A imagem (conceito artístico) mostra o 51 Pegasi b, um planeta gigante descoberto em outubro de 1995. Localizado a cerca de 50 anos-luz da Terra, ele possui aproximadamente metade do tamanho de Júpiter e orbita sua estrela em uma órbita que dura apenas 4,2 dias. Crédito: NASA/JPL-Caltech
Pat Brennan – Redator científico do Programa de Exploração de Exoplanetas da NASA. Ele ingressou no JPL em 2015, após uma carreira de 30 anos na imprensa.



