Rosana Valle


A oferta da vacina contra a Herpes-Zóster à população brasileira, de forma gratuita, por parte do governo federal, é tema do Projeto de Lei (PL) 42/2026, de minha autoria. A proposta defende a inclusão das doses no Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em resposta ao que proponho, a União, sempre gastona com viagens e quitutes, diz que o custo é alto e que, desta forma, não tem recursos para despender à demanda em tela. O argumento do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de que a imunização é cara, sem olhar o “preço” da doença, é, no mínimo, um exemplo claro de má gestão.

Em média, o herpes-zóster gera, a cada ano, mais de 5 mil atendimentos ambulatoriais e cerca de 2 mil internações no âmbito do SUS. Estes números evidenciam não apenas a sobrecarga imposta à rede pública de Saúde e ao orçamento, mas, também, ao sofrimento concreto causado aos pacientes.

Estamos falando de uma doença que provoca dor intensa e, por vezes, prolongada, podendo comprometer o sono, a rotina e a qualidade de vida, especialmente entre idosos e pessoas imunocomprometidas. Isso, ainda, sem contar sequelas, terapias prolongadas, afastamentos do trabalho e outras consequências de impacto social e econômico. Ou seja, não investir em prevenção, neste caso, sai bem mais caro.

Não vacinar, ao meu ver, não é opção. Se não há, segundo a União, dinheiro para uma cobertura completa, ora, fracione, hierarquiza os mais vulneráveis, mas começa. Faça alguma coisa! Só fechar a carteira e ficar assistindo a contaminação se espraiar por todo o País não é nada razoável, e nem de longe, responsável.

Não de hoje, o Brasil enfrenta aumento expressivo nos casos de herpes-zóster. Somente em 2023, foram mais de 127 mil os casos registrados – um salto superior a 500% comparado a 2022, de acordo com o DataSUS.

Saúde pública eficiente funciona se evitando a enfermidade, antes que ela vire internação, sofrimento e despesa maior. Tal raciocínio, de simples entendimento, parece não valer para o atual governo, que lança mão de argumento financeiro para não fazer o que precisa.

Outro exemplo de falta de urgência por parte da gestão petista, também na área da Saúde, se vê na Farmácia Popular. Na teoria, trata-se de programa importante. Na prática, o que acontece, e com frequência, é o desabastecimento de medicamentos nas unidades credenciadas e, consequentemente, interrupções no atendimento.

Já no que tange à saúde da mulher, outro equívoco: o protocolo do SUS autoriza mamografia apenas a partir dos 50 anos, e a cada dois anos – mesmo com a incidência de casos registrados antes desta faixa etária. Indignada e preocupada com tal medida, apresentei o PL 184/2025 – já aprovado, inclusive, na Câmara dos Deputados -, para garantir que as brasileiras tenham o direito de se submeterem ao exame a partir dos 40 anos, e com periodicidade anual.

Isso, sim, é prevenção de verdade. Afinal, diagnóstico antecipado, tal qual vacina, salva vidas, e reduz custos com tratamentos avançados, cirurgias complexas e terapias de alto valor.

Como disse nas linhas acima, para passeios (muitos travestidos de missões oficiais) e para demais luxos do Palácio do Planalto não me parece faltar recursos. Quando Lula inflou a estrutura federal de 23 para 38 Ministérios, com direito à ampliação de cargos, despesas administrativas e custos permanentes, ninguém reclamou de ausência de orçamento.

Os gastos com Publicidade e com eventos também são homéricos na esfera federal. O que significa que, o que falta para a atual gestão é prioridade e bom senso. A escassez de aporte para a Saúde é argumento fraco e alternativa falha e deliberada. É omissão. Simples, assim!


Rosana Valle – Deputada federal pelo PL-SP, em segundo mandato; presidente da Executiva Estadual do PL Mulher de São Paulo; jornalista por formação há mais de 25 anos; e autora dos livros “Rota do Sol 1 e 2”.

 


Destaque – Imagem: divulgação / +aloart / G.I.


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