Jayne Aranda Campos


A transição das regras do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), previstas na reforma tributária, coloca 2026 como um período estratégico para reorganização patrimonial no Brasil. Com a obrigatoriedade de alíquotas progressivas, base de cálculo pelo valor de mercado dos bens na data do fato gerador e a nova regra de competência para cobrança, o custo de transmissão de heranças pode aumentar a partir de 2027. Ou seja, quem ignorar o tema agora deve sentir o impacto no bolso quando as mudanças entrarem em vigor.

Atualmente, o imposto sobre herança é definido pelos estados e, em alguns casos, ainda segue uma alíquota fixa, como em São Paulo, onde a taxa é de 4%. De acordo com a advogada Jayne Aranda Campos, especialista em Direito das Sucessões e Direito Imobiliário, a progressividade agora é obrigatória, com teto de 8% fixado pelo Senado. Com isso, patrimônios menores tendem a pagar igual ou menos; patrimônios maiores pagarão mais.

Além do reajuste progressivo, as famílias brasileiras devem se atentar à base de cálculo pelo valor do mercado, não mais pelo valor histórico ou contábil. “Isso quer dizer que o imposto será calculado sobre o valor real do bem e não mais baseado em um valor antigo ou menor. Além disso, na nova regra de competência fica mais claro quem pode cobrar o imposto, geralmente o estado onde o falecido morava”, explica a especialista.

Apesar das mudanças já estarem em vigor desde 14 de janeiro de 2026, a advogada explica que cada estado precisa editar sua própria lei para implementar as mudanças. “Uma vez publicada a lei estadual, ainda se aplicam os princípios da anterioridade anual e nonagesimal. Na prática, estados que atualizarem sua legislação em 2026 só poderão cobrar as novas alíquotas em 2027”.

Para entender a melhor forma de movimentação, Jayne indica uma consultoria com advogado especialista e cita três estratégias: antecipar doações enquanto o estado ainda usa alíquota fixa ou valor contábil como base, revisar holdings familiares (pois a base de cálculo sobre participações societárias mudou significativamente) e usar o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) como ferramenta sucessória — mantidos isentos de ITCMD pela reforma.


Jayne Aranda Campos – Advogada especializada em Inventário, Herança e Planejamento Patrimonial, com atuação estratégica na proteção e organização do patrimônio familiar.

 


Destaque – Imagem: divulgação / +aloart / G.I.


Leia outras matérias desta editoria

O falso alerta da Defesa Civil e a fragilidade da confiança digital

Na madrugada de sábado (20), milhões de brasileiros foram surpreendidos por um alerta extremo da Defesa Civil emitido indevidamente para celulares em diferentes regiões do país. A mensagem, que simulava uma situação de emergência, gerou confusão, medo e...

Quem conhece a literatura de Minas Gerais não esquece jamais

Neste ano de 2026, quando se completam os 70 anos de publicação do Grande sertão: veredas, não é difícil perceber o crescente interesse dos leitores pela obra de Guimarães Rosa. Renovado por publicações, como as de Italo Moriconi (Para ler Grande sertão:...

Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+

Quando o preconceito fecha portas, o empreendedorismo abre caminhos. A falta de oportunidade no mercado de trabalho é uma entre tantas outras formas de preconceito que a população LGBTQIAPN+ sofre no Brasil. Para enfrentá-la, uma parcela considerável...

Por que os adolescentes precisam conhecer a Amazônia?

Na década de 1970, um anúncio de carro, veiculado na TV, retratava um pequeno automóvel percorrendo um trecho da BR 230, uma cicatriz aberta no meio da floresta pela rodovia Transamazônica. Em outra cena, enormes tratores de esteira derrubavam árvores...

Feminicídio cometido por militar: hierarquia, farda e disciplina não devem legitimar barbárie em ambiente doméstico

A recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao dirimir conflito de competência envolvendo um tenente-coronel acusado de feminicídio contra sua esposa — também militar — expõe, com crueza, uma fratura normativa que o Direito brasileiro insiste...

Docência: uma profissão enferma e inviabilizada

Os dados não deixam dúvidas: os professores estão doentes e submetidos a todo tipo de violência. Em 2025, por exemplo, o estado de São Paulo registrou a média de 95 afastamentos diários de docentes por problemas relacionados à saúde mental, segundo o...

Diversidade sexual e de gênero: a discriminação no trabalho tem consequência jurídica

No dia 28 de junho celebra-se o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, data que remete aos protestos de Stonewall, ocorridos em 1969, nos Estados Unidos, considerado um marco histórico na luta por direitos civis e combate à discriminação. No Brasil,...