Mais de 90 milhões vivem sem esgoto no Brasil, e falta de saneamento gera 350 mil internações e bilhões em custos à saúde, aponta estudo.


A falta de saneamento básico no Brasil continua gerando impactos profundos na saúde pública e nas contas do país. Mais de 30 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água tratada, enquanto cerca de 90 milhões — mais de 40% da população — vivem sem coleta de esgoto.

Os dados fazem parte de um levantamento do Instituto Trata Brasil, que também aponta que, apenas em 2024, doenças relacionadas à ausência desses serviços resultaram em mais de 350 mil internações hospitalares.

Doenças evitáveis pressionam o sistema de saúde

A precariedade no acesso ao saneamento está diretamente ligada à incidência de doenças evitáveis, como diarreia, dengue e verminoses — problemas que poderiam ser significativamente reduzidos com infraestrutura adequada.

Além do impacto social, o custo financeiro também é elevado. Estimativas indicam que a universalização dos serviços de saneamento poderia gerar uma economia de cerca de R$ 25 bilhões em gastos com saúde pública.

Investir em saneamento reduz desigualdades

Segundo Ricardo Lazzari Mendes, presidente da APECS, o impacto da falta de saneamento é ainda mais severo em regiões menos desenvolvidas.

“Em cidades com menor índice de desenvolvimento, o número de internações por doenças ligadas à falta de saneamento pode ser até 20 vezes maior do que em locais com melhor infraestrutura”, afirma.

O dado reforça que investimentos no setor não apenas melhoram a qualidade de vida, mas também reduzem desigualdades sociais e regionais.

Investimentos seguem abaixo do necessário

Apesar dos avanços após o novo marco legal do saneamento, o volume de investimentos ainda está aquém do necessário para atingir as metas de universalização até 2033.

O objetivo é garantir acesso à água potável para 99% da população e coleta e tratamento de esgoto para até 90%. Para isso, o país deveria investir, em média, R$ 225 por habitante.

No entanto, nos 20 municípios com os piores indicadores, a média de investimento entre 2020 e 2024 foi de apenas R$ 77,58 por pessoa — cerca de 66% abaixo do ideal.

Desigualdade regional ainda é desafio

De acordo com Mendes, há um avanço nos investimentos, mas o país ainda enfrenta forte desigualdade regional, com regiões Norte e Nordeste em situação mais crítica.

Esse cenário exige políticas específicas e maior direcionamento de recursos para reduzir o atraso histórico nessas áreas.

Iniciativa busca apoiar gestores públicos

Para contribuir com a melhoria do setor, a APECS, em parceria com o Sinaenco e a ABCE, lançou o portal Boletim do Saneamento.

A plataforma reúne orientações técnicas e informações sobre financiamento, planejamento urbano, legislação e boas práticas, com o objetivo de apoiar gestores públicos na implementação de projetos mais eficientes.

Saneamento é chave para desenvolvimento

Especialistas apontam que ampliar o acesso ao saneamento básico é essencial para o desenvolvimento econômico e social do país.

“Investir em saneamento é deixar o atraso no passado e avançar para um Brasil mais moderno, garantindo dignidade à população”, conclui Mendes.


Destaque – Aprovado em 2020, após 6 anos, déficit de saneamento afeta milhões de brasileiros. Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil


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