Prática baseada no peso do próprio corpo ganha espaço por ser inclusiva, adaptável e alinhada às novas tendências de saúde.


A calistenia vem registrando crescimento no número de adeptos nos últimos anos no Brasil e se consolida como uma prática acessível para diferentes faixas etárias. Baseada no uso do peso do próprio corpo, a modalidade permite ajustes conforme idade, condição física e objetivos individuais. A calistenia utiliza o peso corporal como principal ferramenta de treino, o que possibilita adaptações de intensidade, volume e complexidade.

De acordo com o educador físico especialista em calistenia, Felipe Kutianski, a prática pode ser realizada por crianças, adultos e idosos, desde que sejam respeitados critérios de progressão gradual e execução correta dos movimentos. “A calistenia não é sobre fazer mais, e sim sobre fazer melhor. Quando a progressão é bem planejada, ela se torna segura e eficiente em qualquer fase da vida”, explica.

Entre pessoas acima dos 50 anos, os benefícios incluem ganho de força muscular, melhora da flexibilidade, do equilíbrio e da autonomia funcional, fatores diretamente associados à qualidade de vida e à prevenção de quedas. Já entre jovens, a calistenia contribui para o desenvolvimento da coordenação motora, da consciência corporal, do fortalecimento global e do aprendizado técnico dos movimentos, além de estimular disciplina e constância na prática de atividade física.

A simplicidade do método e a possibilidade de adaptação tornam a modalidade atrativa para quem busca saúde com menor risco de lesões. “A calistenia é, por sua essência, adaptável. O que muda não é o método, e sim a forma como o estímulo é aplicado. Com jovens, o foco está no aprendizado motor e na construção progressiva de força. Em adultos, priorizo treinos eficientes, que respeitam a rotina. Já com idosos, trabalhamos padrões básicos, como sentar, levantar, empurrar e puxar, sempre com controle e segurança”, afirma o especialista.

Uma tendência global

O levantamento Worldwide Survey of Fitness Trends 2025–2026, conduzido pelo American College of Sports Medicine (ACSM), aponta o treinamento funcional e o uso do peso corporal entre as principais tendências globais, com destaque para treinos personalizados e atividades ao ar livre. Esse cenário reforça a expectativa de que a calistenia deixe de ser vista como alternativa e se consolide como uma abordagem central para saúde, longevidade e estética funcional. “Existe uma mudança clara de mentalidade. As pessoas estão menos interessadas em máquinas e mais focadas em movimento de qualidade, autonomia e sustentabilidade a longo prazo”, avalia Kutianski.

De acordo com o American College of Sports Medicine, o treinamento com peso corporal segue os mesmos princípios de segurança e eficácia do treinamento resistido tradicional, desde que respeite progressão, técnica correta e individualização. A World Health Organization (OMS) recomenda, para adultos e idosos, atividades de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana, com ênfase em exercícios que envolvam grandes grupos musculares, equilíbrio e coordenação.

A calistenia se enquadra diretamente nessas diretrizes, especialmente para populações acima dos 50 anos, contribuindo para força, mobilidade, prevenção de quedas e manutenção da autonomia. No Brasil, o crescimento do interesse por modalidades acessíveis e personalizáveis acompanha o cenário de envelhecimento populacional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam a expansão contínua da população com 60 anos ou mais, reforçando a demanda por práticas físicas seguras, de baixo custo e adaptáveis a diferentes contextos.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


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