Aquela dor no ouvido que muitas pessoas sentem durante viagens de avião ou em mergulhos pode ser mais séria do que parece; especialista explica os riscos e como se proteger.


Você já sentiu seu ouvido “tapar” durante a decolagem de um avião, ou um incômodo estranho na cabeça ao mergulhar? Esse desconforto pode ser mais do que apenas passageiro: ele pode indicar um barotrauma, condição médica que afeta milhares de pessoas todos os anos — e muitas nem sabem disso.

“O barotrauma é uma lesão causada pela diferença de pressão entre o ambiente externo e as cavidades de ar do nosso corpo, como ouvido médio e seios da face”, explica a Dra. Ana Beatriz Spina, médica otorrinolaringologista especialista em Otologia do Hospital Paulista. “É mais comum em voos e mergulhos, especialmente durante pousos, decolagens e mudanças bruscas de profundidade.”

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 30% dos passageiros experimentam algum grau de desconforto no ouvido durante voos. Em mergulhadores amadores, estudos apontam que cerca de 50% já relataram sintomas compatíveis com barotrauma auditivo em algum momento.

Ouvido tampado, zumbido e até sangramento nasal

Os sintomas variam, mas os mais comuns são sensação de ouvido tampado e dor. Em casos mais graves, incluem zumbido, tontura e perda auditiva temporária. Já nos seios da face, pode haver dor facial, pressão na testa e até sangramento nasal.

“É importante procurar um médico se esses sintomas forem intensos ou persistirem por várias horas, especialmente se houver perda de audição, tontura ou sangramento. Pode ser sinal de uma lesão mais séria”, alerta a especialista.

Gripado? Melhor adiar o voo ou o mergulho

Quem sofre de rinite, sinusite ou está resfriado deve redobrar a atenção. Segundo a especialista, esses quadros obstruem a tuba auditiva — canal que equaliza a pressão entre o ouvido e o ambiente — e aumentam significativamente o risco de barotrauma.

“Se estiver com o nariz entupido, o ideal é adiar a viagem ou mergulho. Caso não seja possível, converse com um médico. Em alguns casos, o uso de descongestionantes sob orientação pode ajudar, mas o mais seguro é evitar a exposição à mudança de pressão enquanto estiver doente.”

Técnicas simples podem prevenir o problema

A boa notícia é que o barotrauma pode ser evitado com medidas simples. Entre as mais eficazes estão:

:: Mascar chiclete, bocejar ou engolir durante a decolagem e o pouso;
:: Usar a “manobra de Frenzel”, que consiste em tampar o nariz e engolir, ajudando a abrir a tuba auditiva;
:: Evitar a “manobra de Valsalva” (assoprar com o nariz tampado), que pode ser arriscada se feita com força excessiva;
:: Nos mergulhos, fazer a equalização da pressão aos poucos, de forma gradual e segura;
:: E, claro, evitar atividades com variações de pressão quando estiver doente.

Curiosidade: o barotrauma em números

:: Até 30% dos passageiros de avião sentem sintomas leves a moderados de barotrauma auditivo (OMS);
:: Em mergulhadores recreativos, lesões de ouvido médio são as mais comuns, representando quase 40% dos acidentes de mergulho não fatais, segundo a Divers Alert Network (DAN);
:: Crianças são mais vulneráveis, pois suas tubas auditivas são mais curtas e horizontais, o que dificulta a equalização da pressão.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


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