Especialistas do Hospital Paulista alertam que exames preventivos de audiometria devem começar a partir dos 40 anos para evitar o isolamento social e riscos de depressão.


A população com mais de 60 anos é cada vez mais numerosa e ativa. Diferente de décadas anteriores, os idosos de hoje mantêm uma rotina intensa de trabalho, atividades físicas e relações sociais. No entanto, toda essa vitalidade pode desviar a atenção de problemas comuns e silenciosos nesta etapa da vida, como a perda auditiva.

De acordo com Christiane Nicodemo, fonoaudióloga do Hospital Paulista e mestre em distúrbio da comunicação e linguagem, o monitoramento preventivo deve ter início bem antes da terceira idade. A especialista destaca que a audiometria é um exame de suma importância e deve ser incorporado à rotina das pessoas a partir dos 40 anos de idade, sendo esta a melhor forma de prevenção.

O impacto no convívio social e na saúde mental

A percepção do declínio auditivo por parte do próprio paciente é um dos maiores desafios, pois na maioria dos casos os primeiros sinais são identificados por familiares e amigos devido à dificuldade progressiva de interação nas conversas do dia a dia. Quando não tratada, a deficiência auditiva traz impactos severos para além do ouvido.

A dificuldade de comunicação gera um isolamento social que afasta o indivíduo de seus círculos de convivência e estimula quadros de depressão. Além disso, a privação auditiva crônica compromete diretamente a capacidade de comunicação e está associada ao aumento do risco de desenvolvimento de Alzheimer, conforme apontam vários estudos.

Doenças crônicas e fatores de risco

A Dra. Bruna Assis, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, complementa que certos grupos necessitam de atenção redobrada e acompanhamento médico rigoroso. Ela alerta que pessoas acima de 60 anos que têm doenças crônicas, como diabetes, pressão alta e apneia do sono, podem ter uma maior predisposição à privação auditiva.

Além das comorbidades, o estilo de vida desempenha um papel crucial no desgaste da audição. Hábitos considerados de risco como o tabagismo, o consumo regular de álcool, o uso excessivo de fones de ouvido e a exposição constante a sons de alta intensidade contribuem diretamente para o problema. O diagnóstico precoce por meio da audiometria permite intervenções e reabilitações que preservam a autonomia e a qualidade de vida da população longeva.


Destaque – Perda auditiva pode comprometer o convívio social. Imagem: aloart / G.I.


Leia outras matérias desta editoria

Perda auditiva pode comprometer a vitalidade e convívio social de idosos

Especialistas do Hospital Paulista alertam que exames preventivos de audiometria devem começar a partir dos 40 anos para evitar o isolamento social e riscos de depressão. A população com mais de 60 anos é cada vez mais numerosa e ativa. Diferente de...

Dobra o número de fumantes que usam cigarro eletrônico e buscam tratamento na Unifesp

Levantamento do ambulatório PrevFumo revela que pacientes usam “vape” acreditando que ele ajuda a parar de fumar, mas acabam sofrendo com a dupla dependência de nicotina. O uso simultâneo de cigarros tradicionais e dispositivos eletrônicos para fumar...

Governo de SP descarta caso suspeito de Ebola em paciente vindo do Congo

Exames do Instituto Adolfo Lutz deram negativo para o vírus; paciente de 37 anos segue internado em estado grave com diagnóstico de meningite. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) descartou, nesta segunda-feira (1º), o caso suspeito de...

Morte do fisiculturista Gabriel Ganley expõe os riscos fatais de anabolizantes

O trágico falecimento do atleta de 22 anos reacende o alerta de médicos sobre o uso de esteroides e insulina, que provocam danos irreversíveis e risco de morte súbita. A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos, reacendeu o debate sobre os...

Poluição sonora nas metrópoles é risco invisível para a saúde pública, diz fonoaudióloga

Excesso de ruído em grandes centros urbanos como São Paulo afeta do sono à pressão arterial; OMS aponta problema como a segunda maior causa de poluição mundial. Viver em uma grande metrópole muitas vezes significa conviver com um barulho constante. O que...

Mais da metade dos brasileiros busca informações de saúde na internet — mas o que eles estão encontrando pode mudar suas decisões médicas

Entre mitos e “curas milagrosas”, redes sociais desafiam a medicina: a facilidade de buscar sintomas e tratamentos na internet transformou a forma como os brasileiros lidam com a própria saúde — mas também abriu espaço para conteúdos que podem influenciar...

Cantar faz bem: hábito simples pode melhorar humor, respiração e até a imunidade

Estudos apontam benefícios do canto para a saúde vocal e emocional, mas especialistas alertam para cuidados importantes. Cantar no carro, no chuveiro ou em momentos de lazer pode parecer apenas uma forma de expressão ou diversão. Mas a ciência mostra que o...