Rafa Zimbaldi


O debate sobre o eventual fim da escala 6x1 no Brasil precisa ser conduzido com serenidade, com dados concretos e com responsabilidade com a realidade econômica brasileira. E, de forma alguma, o Congresso Nacional deve se esquecer dos pequenos e dos micro empreendedores do País nesta esteira de discussão — e nem se esquivar do impacto que uma decisão desta magnitude pode ter na informalidade e no desemprego de maneira geral.

Empreender no Brasil não é só fonte de sobrevivência; não é só investir num nicho, ou apostar naquilo que se faz de melhor. O dono, muitas vezes, é quem opera tudo — da Contabilidade às compras — e conta, quando muito, sobretudo no começo, com um ou nenhum colaborador.

Em setores como Comércio, Alimentação, Serviços e Turismo, a dinâmica da demanda não se ajusta ao calendário tradicional. A escala 6x1, nesses casos, não é sinônimo de precarização. Pelo contrário: é instrumento de organização produtiva. Desta forma, sua extinção, sem uma transição estruturada e sem considerar as diferenças setoriais, pode significar aumento de custos, redução de competitividade e, inevitavelmente, menos vagas formais no Brasil. Há, desta forma, preocupação legítima e que não deve ser ignorada pelo segmento e nem pelo Parlamento. O detalhe no todo faz muita diferença.

Defender os empreendedores não é relativizar direitos trabalhistas — é compreender que emprego só existe onde há empresa sustentável. Penso que, a matéria em tela deveria ser objeto de deliberação dos Sindicatos Patronais e Laborais de cada setor, por meio das respectivas Convenções Coletivas de Trabalho (CCTs), diante das especificidades de cada segmento.

Importante destacar, ainda, que, apenas os segmentos do Turismo, do Comércio e de Serviços seriam impactados com o fim da escala 6X1 no Brasil, já que o Mercado Financeiro e a Indústria não adotam este tipo de jornada em suas operações. É preciso refletir sobre o quanto uma medida como esta faria portas se fecharem. Sem respiro financeiro para manter uma escala laboral menor, o empreendedor quebra. Simples, assim!

Uma mudança abrupta na jornada, ao meu ver, sem compensações estruturais (como isenção ou redução de tributos, só para citar uma possibilidade) pode desorganizar cadeias inteiras e favorecer (sublinho, insisto) a informalidade e o desemprego. Que incentivo, pergunto, será concedido ao pequeno negócio?

O Brasil precisa, sim, avançar na agenda da produtividade — da simplificação tributária à modernização responsável das relações de trabalho. A discussão, no entanto, não pode ser movida por politização, por slogans, mas, sim, por impacto real sobre milhões de micro e de pequenos negócios que operam com margens apertadas e alto custo regulatório.

Se queremos mais empregos, melhores salários e desenvolvimento econômico, precisamos fortalecer quem empreende no País. O equilíbrio é o caminho: proteger o trabalhador, sim — mas, também, garantir as condições para que o empreendedor continue abrindo portas todos os dias e não fortalecendo estáticas de mortalidade empresarial.


Rafa Zimbaldi – Deputado estadual em São Paulo pelo União Brasil, em segundo mandato; coordenador da Frente Parlamentar de Combate à Violência em Ambiente Digital Contra Crianças e Adolescentes da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp); foi vereador em Campinas-SP por quatro mandatos e presidente da Câmara Municipal por duas gestões; é graduado em Relações Internacionais.

 


Destaque – Imagem: Divulgação / aloart / G.I.


Leia outras matérias desta editoria

Doença de Haff: o alerta silencioso que começa no prato e termina no hospital

William Barbosa Sales O debate sobre o eventual fim da escala 6x1 no Brasil precisa ser conduzido com serenidade, com dados concretos e com responsabilidade com a realidade econômica brasileira. E, de forma alguma, o Congresso Nacional deve se...

Desapegar para avançar

Daniel C. Luz Vivemos em uma cultura que valoriza o acúmulo, não apenas de objetos, mas também de conquistas, certezas e tentativas de controlar o futuro. A ideia de “segurar firme” aquilo que conquistamos costuma ser vista como sinal de força,...

68 suicídios evitados, 37 ataques a escolas frustrados e 200 estupros impedidos: o trabalho de proteção às crianças na Internet

Rafa Zimbaldi O debate sobre o eventual fim da escala 6x1 no Brasil precisa ser conduzido com serenidade, com dados concretos e com responsabilidade com a realidade econômica brasileira. E, de forma alguma, o Congresso Nacional deve se esquecer...

ELE, NÃO: a Comissão da Mulher sob nova direção e o risco de agendas identitárias dominarem o debate no Parlamento

Rosana Valle A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita, recentemente, para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, em Brasília-DF. A eleição ocorreu dentro das regras regimentais e, como...

Criança de 12 anos “casada” com homem de 35: a normalização da pedofilia num Brasil que não protege suas vítimas

Celeste Leite dos Santos O Brasil voltou a se confrontar com uma sensação coletiva de ruptura quando se difundiu, nas plataformas digitais e na Imprensa, há poucos dias, a notícia de absolvição de um homem acusado de estupro de vulnerável num...

Da lei à realidade: desafios do saneamento básico no Brasil

Raquel Cota O Marco Legal do Saneamento define metas importantes para o Brasil: até 2033, 99% da população deve ter acesso à água potável e 90% deve contar com coleta e tratamento de esgoto. Passados mais de cinco anos de sua promulgação, em...

A “caneta da vez” deve ser a consciência

Marcelo Rocha Nasser Hissa A recente passagem do Dia Mundial da Obesidade (04/03), traz um alerta importante: estamos diante de um problema crescente de saúde pública. Hoje, cerca de 20% dos adultos brasileiros vivem com obesidade, e mais de...

Rafa Zimbaldi


O debate sobre o eventual fim da escala 6x1 no Brasil precisa ser conduzido com serenidade, com dados concretos e com responsabilidade com a realidade econômica brasileira. E, de forma alguma, o Congresso Nacional deve se esquecer dos pequenos e dos micro empreendedores do País nesta esteira de discussão — e nem se esquivar do impacto que uma decisão desta magnitude pode ter na informalidade e no desemprego de maneira geral.

Empreender no Brasil não é só fonte de sobrevivência; não é só investir num nicho, ou apostar naquilo que se faz de melhor. O dono, muitas vezes, é quem opera tudo — da Contabilidade às compras — e conta, quando muito, sobretudo no começo, com um ou nenhum colaborador.

Em setores como Comércio, Alimentação, Serviços e Turismo, a dinâmica da demanda não se ajusta ao calendário tradicional. A escala 6x1, nesses casos, não é sinônimo de precarização. Pelo contrário: é instrumento de organização produtiva. Desta forma, sua extinção, sem uma transição estruturada e sem considerar as diferenças setoriais, pode significar aumento de custos, redução de competitividade e, inevitavelmente, menos vagas formais no Brasil. Há, desta forma, preocupação legítima e que não deve ser ignorada pelo segmento e nem pelo Parlamento. O detalhe no todo faz muita diferença.

Defender os empreendedores não é relativizar direitos trabalhistas — é compreender que emprego só existe onde há empresa sustentável. Penso que, a matéria em tela deveria ser objeto de deliberação dos Sindicatos Patronais e Laborais de cada setor, por meio das respectivas Convenções Coletivas de Trabalho (CCTs), diante das especificidades de cada segmento.

Importante destacar, ainda, que, apenas os segmentos do Turismo, do Comércio e de Serviços seriam impactados com o fim da escala 6X1 no Brasil, já que o Mercado Financeiro e a Indústria não adotam este tipo de jornada em suas operações. É preciso refletir sobre o quanto uma medida como esta faria portas se fecharem. Sem respiro financeiro para manter uma escala laboral menor, o empreendedor quebra. Simples, assim!

Uma mudança abrupta na jornada, ao meu ver, sem compensações estruturais (como isenção ou redução de tributos, só para citar uma possibilidade) pode desorganizar cadeias inteiras e favorecer (sublinho, insisto) a informalidade e o desemprego. Que incentivo, pergunto, será concedido ao pequeno negócio?

O Brasil precisa, sim, avançar na agenda da produtividade — da simplificação tributária à modernização responsável das relações de trabalho. A discussão, no entanto, não pode ser movida por politização, por slogans, mas, sim, por impacto real sobre milhões de micro e de pequenos negócios que operam com margens apertadas e alto custo regulatório.

Se queremos mais empregos, melhores salários e desenvolvimento econômico, precisamos fortalecer quem empreende no País. O equilíbrio é o caminho: proteger o trabalhador, sim — mas, também, garantir as condições para que o empreendedor continue abrindo portas todos os dias e não fortalecendo estáticas de mortalidade empresarial.


Rafa Zimbaldi – Deputado estadual em São Paulo pelo União Brasil, em segundo mandato; coordenador da Frente Parlamentar de Combate à Violência em Ambiente Digital Contra Crianças e Adolescentes da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp); foi vereador em Campinas-SP por quatro mandatos e presidente da Câmara Municipal por duas gestões; é graduado em Relações Internacionais.

 


Destaque – Imagem: Divulgação / aloart / G.I.


Leia outras matérias desta editoria

Doença de Haff: o alerta silencioso que começa no prato e termina no hospital

William Barbosa Sales O debate sobre o eventual fim da escala 6x1 no Brasil precisa ser conduzido com serenidade, com dados concretos e com responsabilidade com a realidade econômica brasileira. E, de forma alguma, o Congresso Nacional deve se...

Desapegar para avançar

Daniel C. Luz Vivemos em uma cultura que valoriza o acúmulo, não apenas de objetos, mas também de conquistas, certezas e tentativas de controlar o futuro. A ideia de “segurar firme” aquilo que conquistamos costuma ser vista como sinal de força,...

68 suicídios evitados, 37 ataques a escolas frustrados e 200 estupros impedidos: o trabalho de proteção às crianças na Internet

Rafa Zimbaldi O debate sobre o eventual fim da escala 6x1 no Brasil precisa ser conduzido com serenidade, com dados concretos e com responsabilidade com a realidade econômica brasileira. E, de forma alguma, o Congresso Nacional deve se esquecer...

ELE, NÃO: a Comissão da Mulher sob nova direção e o risco de agendas identitárias dominarem o debate no Parlamento

Rosana Valle A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita, recentemente, para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, em Brasília-DF. A eleição ocorreu dentro das regras regimentais e, como...

Criança de 12 anos “casada” com homem de 35: a normalização da pedofilia num Brasil que não protege suas vítimas

Celeste Leite dos Santos O Brasil voltou a se confrontar com uma sensação coletiva de ruptura quando se difundiu, nas plataformas digitais e na Imprensa, há poucos dias, a notícia de absolvição de um homem acusado de estupro de vulnerável num...

Da lei à realidade: desafios do saneamento básico no Brasil

Raquel Cota O Marco Legal do Saneamento define metas importantes para o Brasil: até 2033, 99% da população deve ter acesso à água potável e 90% deve contar com coleta e tratamento de esgoto. Passados mais de cinco anos de sua promulgação, em...

A “caneta da vez” deve ser a consciência

Marcelo Rocha Nasser Hissa A recente passagem do Dia Mundial da Obesidade (04/03), traz um alerta importante: estamos diante de um problema crescente de saúde pública. Hoje, cerca de 20% dos adultos brasileiros vivem com obesidade, e mais de...