Com o dólar alcançando o valor de R$ 5,87, na última sexta-feira (31/10), os reflexos da inflação impactam nas feiras livres.


A feira livre pode ser tomada como um dos termômetros mais populares da economia. É lá onde muitos brasileiros procuram os melhores preços de frutas, legumes e verduras. Os feirantes vendem de forma a projetarem a próxima compra, as perdas e as próximas vendas, em um formato que gira constantemente mercadorias e valores.

Aumento de preços é constante

Tomando como base a CEAGESP – onde os comerciantes buscam os preços menores no atacado –, percebe-se facilmente as oscilações das cotações que naturalmente são afetadas pela economia. Por sua vez, nas feiras livres os consumidores sentem no bolso os aumentos constantes devido às oscilações e esse fato ocorre de uma semana para a outra e até durante a mesma semana.

Considerada a maior rede pública de armazéns, silos (grandes depósitos, em forma de cilindro, para guardar produtos agrícolas) e graneleiros (locais que recebem ou abrigam mercadorias a granel) do Estado de São Paulo, na CEAGESP os preços aos feirantes podem oscilar sensivelmente por uma série de fatores. Por consequência, nas feiras livres, os preços se alteram para cima ou para baixo rapidamente, refletindo não só o clima e a sazonalidade dos produtos.

Inflação

A economia, o preço do dólar e as cotações do mercado, principalmente na maior cidade do país, também afetam os preços do CEAGESP. Em recente pesquisa, o portal Alô Tatuapé conversou com comerciantes e consumidores de feiras livres. “Pobre não vai poder mais comer frutas”, disse um feirante. “Hoje aumentou bastante”, exclamou uma senhora que vai à feira livre regularmente ao se deparar com os preços das maçãs.

A banana prata já está sendo vendida, nas feiras livres, por até 15 reais a dúzia. A laranja pera foi subindo de 6 para 8, chegou a 10, 12 e atualmente já alcança 15 reais a dúzia. Esses dois produtos integram a cesta básica dos brasileiros e cada banana ou laranja sai por 1,25 real! As maçãs estão na faixa de 2,50 cada ou quatro por 10 reais.

Acesso aos alimentos

Se imaginarmos que uma família de três pessoas consuma 90 laranjas e 90 bananas por mês – ou uma unidade por dia para cada membro –, o gasto será de 225 reais. Ao acrescentarmos um mamão formosa na semana por 15 reais a unidade, o orçamento dessas frutas vai para 285 reais. Acrescente nove maçãs por semana a essa conta e o valor chegará a 375 reais.

Esse orçamento sobe bastante se a mesma família comprar outros itens básicos, como tomate, batata, cebola, cenoura, alho, legumes e hortaliças. Essa composição é altamente recomendada pela área de saúde pública para uma vida saudável, no que diz respeito aos hortifruti.

Estatísticas

Estas contas são populares e diante da soma não é preciso ser economista para perceber que a inflação está corroendo o bolso das famílias de baixa renda. Complementarmente, as necessidades mais básicas dessa população são vagamente supridas pela constante dependência dos programas de assistencialismos governamentais.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou um aumento de 1,52% em outubro, acelerando em relação ao mês anterior, quando havia registrado alta de 0,62%; enquanto a confiança do consumidor também recuou no mês passado. Os índices foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas no dia 30 de outubro.

Mas apesar da seriedade das estatísticas divulgadas, a economia popular indica que os preços estão subindo muito mais nas feiras livres, enquanto os salários – inclusive de aposentadorias – perdem poder de compra.


Destaque – Imagem: aloart


Publicação:
Domingo | 3 de novembro, 2024


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