Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) manteve o limite para taxas cobradas por operadoras de vale-refeição e vale-alimentação, estabelecido pelo Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).


A medida é vista por representantes do setor de alimentação fora do lar como um passo importante para reduzir custos de bares e restaurantes e, possivelmente, frear o aumento de preços nos cardápios.

A decisão foi assinada pelo presidente do tribunal, Carlos Muta, no dia 24 de fevereiro, e derrubou liminares obtidas por pelo menos quatro operadoras que tentavam suspender a nova regulamentação.

As regras fazem parte do Decreto 12.712/2025, que estabeleceu teto de 3,6% para as taxas cobradas nas transações realizadas com cartões de benefícios.

Taxas chegavam a 15% antes da regulamentação

Antes da normatização, bares, restaurantes, padarias e lanchonetes reclamavam de cobranças consideradas elevadas pelas operadoras de vales.

Segundo entidades do setor, as taxas de transação frequentemente variavam entre 12% e 15% do valor da compra, além de outros custos embutidos em contratos, como tarifas de adesão, cadastro e antecipação de crédito.

Para a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp), a regulamentação corrige um desequilíbrio histórico na relação entre operadoras e estabelecimentos.

Impacto pode chegar ao consumidor

De acordo com o diretor-executivo da entidade, Edson Pinto, a redução das taxas pode melhorar o fluxo de caixa dos restaurantes, principalmente dos que trabalham com refeições populares.

Segundo ele, o efeito pode chegar ao consumidor final por meio de congelamento ou até redução de preços em alguns cardápios.

“Sem as altas taxas das maquininhas dos vales, o empresário passa a ter maior fluxo de caixa. Quem ganha com isso é o cliente final, que poderá pagar menos pela refeição e terá mais opções de escolha”, afirma.

O dirigente destaca que empresas que trabalham com marmitas, comida por quilo e prato-feito devem ser as mais beneficiadas pela mudança.

Prazo de repasse também foi reduzido

Além de limitar as taxas cobradas pelas operadoras, o decreto também alterou o prazo de pagamento das vendas feitas com VR e VA.

Antes, os estabelecimentos podiam esperar mais de 30 dias para receber os valores. Agora, o prazo máximo de repasse passou a ser de até 15 dias corridos.

A expectativa do setor é que a redução do prazo também ajude a melhorar a saúde financeira dos negócios.

Interoperabilidade deve ampliar aceitação dos cartões

Outra mudança prevista na regulamentação do PAT é a criação de um sistema de interoperabilidade, permitindo que cartões de diferentes operadoras funcionem em qualquer maquininha.

Segundo a Fhoresp, a medida tende a aumentar a concorrência no setor e ampliar a aceitação dos benefícios em bares e restaurantes.

A entidade também ressalta que operadoras de vale-refeição e vale-alimentação contam com incentivos fiscais do governo federal, o que reforça a necessidade de regras claras para equilibrar o mercado.


Destaque – Imagem: aloart / G.I.


Leia outras matérias desta editoria

Eleições devem impactar consumo em 2026, e 40% dos brasileiros já planejam cortar gastos, diz pesquisa

Levantamento da Neogrid com o Opinion Box mostra que brasileiros devem reduzir gastos em 2026, com eleições influenciando decisões de consumo. Uma pesquisa realizada pela Neogrid, em parceria com o Opinion Box, revela uma mudança relevante nos hábitos de...

Páscoa 2026: Ipem-SP alerta para golpes no peso de ovos de chocolate e pescados; veja como não sair no prejuízo

Órgão orienta consumidores sobre irregularidades em embalagens, brindes e balanças; cuidados simples evitam riscos à saúde e ao bolso Com a aproximação da Páscoa, cresce a procura por pescados, ovos de chocolate e outros produtos típicos da data. Diante...

Conflito no Oriente Médio pode pressionar economia do Brasil, alerta Cofecon

Com juros reais acima de 10%, Brasil enfrenta pressão inflacionária diante de choque global de oferta; Estreito de Ormuz concentra preocupações sobre energia e comércio internacional O Conselho Federal de Economia (Cofecon) alertou, nesta segunda-feira...

Taxa de condomínio sobe 59,6% acima da inflação, estudo traz valores regionais e segmentações

• Levantamento com a maior base de condomínios do país mostra valor médio da taxa de R$ 828,13 e inadimplência de 6,28% no país em 2025. • Relatório traz ranking das regiões com maior média de inadimplência da taxa de condomínio no país. • Juros, inflação...

Com taxas menores de vale-refeição, setor de alimentação fora do lar prevê queda no preço de refeições

Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) manteve o limite para taxas cobradas por operadoras de vale-refeição e vale-alimentação, estabelecido pelo Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). A medida é vista por representantes do...

Petróleo em alta pode afetar preços e logística no Brasil

Especialista aponta impactos nos combustíveis, transporte e custos produtivos. A cotação internacional do petróleo voltou a chamar a atenção do mercado na sexta-feira (6) ao superar a marca de US$ 90 por barril, impulsionada pelas preocupações de...

Sensibilidade a preços da energia pode diferenciar emergentes no conflito com Irã

Thomas Haugaard explica como exportadores e importadores líquidos serão afetados a persistirem os preços altos do petróleo. À medida que os mercados analisam o conflito no Oriente Médio, o principal canal de transmissão não tem sido a escalada geopolítica...