Esther Cristina Pereira


No Dia Internacional da Mulher, vale uma reflexão que muitas vezes passa despercebida: em praticamente todas as sociedades, desde os primeiros momentos da vida, a educação tem forte presença feminina.

Na verdade, a educação humana começa muito antes da escola. Talvez comece antes mesmo do nascimento. Durante nove meses, a mulher carrega em seu corpo o início de uma nova vida. O ser que chega ao mundo cresce alimentado pelo seu sangue, envolvido por suas emoções, protegido pelo seu cuidado. Antes de aprender a andar ou falar, antes de ouvir qualquer palavra de um professor, já existe ali uma forma profunda de vínculo e de formação.

Depois do nascimento, essa presença continua. São as mulheres que, na maioria das famílias, acompanham os primeiros passos, as primeiras palavras, as primeiras noções de convivência. Ensinar a esperar, a dividir, a respeitar, a reconhecer o outro — tudo isso faz parte de uma educação que não está nos livros, mas na vida.

Hoje chamamos muitas dessas habilidades de soft skills: empatia, autocontrole, capacidade de convivência, respeito. Mas essas aprendizagens sempre existiram. Elas nascem no cuidado cotidiano, nas pequenas orientações do dia a dia, nas relações humanas mais próximas.

Quando as crianças chegam à escola, especialmente nos primeiros anos, novamente encontram majoritariamente mulheres. Na educação infantil e nos anos iniciais da vida escolar, são elas que sustentam o ambiente de aprendizagem com paciência, atenção e sensibilidade.

Educar crianças exige muito mais do que transmitir conteúdos. Exige perceber o que não é dito, acolher inseguranças, insistir quando o aprendizado parece difícil. É um trabalho que mistura técnica, dedicação e, muitas vezes, uma dimensão profunda de afeto.

Esse amor, aliás, é uma das marcas da educação exercida por tantas mulheres. Amor que acolhe, que orienta, que insiste. Às vezes até amor demais — aquele que protege, cuida e acompanha cada passo do crescimento.

Isso não significa que educar seja tarefa exclusiva das mulheres. Homens também desempenham papel fundamental na formação das novas gerações. Mas é impossível ignorar que a educação básica da humanidade tem, em grande parte, rosto feminino.

Celebrar o Dia da Mulher é reconhecer conquistas, direitos e igualdade. Mas também é reconhecer esse papel silencioso, cotidiano e profundamente transformador que tantas mulheres exercem ao educar.

Se a educação é o caminho pelo qual a sociedade se forma e se renova, é justo reconhecer que, em grande parte desse caminho, há sempre a presença de uma mulher.

E talvez por isso a pergunta seja inevitável: o que seria da educação sem as mulheres?


Esther Cristina Pereira – Pedagoga, psicopedagoga, professora, diretora da Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP) e diretora educacional do Instituto Destino Brasil.


Destaque – Imagem: aloart / G.I.


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