Estudo realizado com a UFABC identifica espécies inéditas da Mata Atlântica e reforça a importância da preservação ambiental na capital paulista
A cidade de São Paulo acaba de ganhar destaque no cenário científico com a descoberta de duas novas espécies raras de árvores. O achado foi realizado pelo Herbário Municipal, vinculado à Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), em parceria com a Universidade Federal do ABC.
As espécies identificadas, Plinia longifructa e Myrcia piratininga, apresentam maior incidência na Mata Atlântica, especialmente ao longo da Serra do Mar. A descoberta é resultado de expedições realizadas no extremo sul da capital entre 2022 e 2024, aliadas a estudos taxonômicos detalhados.
O reconhecimento científico foi publicado no início de 2026 e classifica ambas as espécies como raras, com ocorrência nas florestas da capital paulista. O avanço reforça a relevância da pesquisa científica para a conservação ambiental em um dos principais hotspots de biodiversidade do planeta.
A identificação foi conduzida pelo biólogo Eduardo Hortal Pereira Barreto, da SVMA, em conjunto com o pesquisador Matheus Fortes Santos, da UFABC. As novas espécies passam a integrar a família Myrtaceae, ampliando o conhecimento sobre as mais de 3 mil espécies arbóreas já catalogadas no bioma brasileiro.
Plinia longifructa: espécie rara encontrada no extremo sul
A Plinia longifructa foi identificada no Parque Natural Municipal Varginha e pode atingir até 20 metros de altura. Seu principal diferencial está nos frutos alongados, característica que inspirou o nome da espécie.
Até o momento, sua ocorrência é restrita a apenas três localidades no Brasil, distribuídas entre áreas da Mata Atlântica, do Planalto Atlântico e da Serra do Mar. A identificação foi possível após três expedições de campo que revelaram características incomuns, como uma estrutura carnosa abaixo dos lóculos do ovário — aspecto determinante para diferenciá-la de outras espécies do mesmo gênero.
Myrcia piratininga homenageia a origem histórica de São Paulo
Já a Myrcia piratininga foi coletada na Reserva Particular do Patrimônio Natural Sítio Curucutu. A espécie apresenta hábito escandente e mais arbustivo, com crescimento apoiado sobre outras plantas, o que a diferencia de espécies semelhantes como a Myrcia robusta.
O nome faz referência à antiga denominação da cidade, São Paulo dos Campos de Piratininga. Considerada rara, a espécie é conhecida apenas por uma população reduzida identificada na reserva.
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Pesquisa científica amplia conhecimento da flora paulistana
O trabalho do Herbário Municipal vem sendo intensificado desde 2020, com foco na identificação e descrição de novas espécies presentes no território paulistano. O esforço contribui diretamente para o avanço do conhecimento botânico e para a preservação ambiental.
Os primeiros registros da flora de São Paulo remontam ao século XIX, com estudos conduzidos por naturalistas como Auguste de Saint-Hilaire e William John Burchell. Posteriormente, iniciativas como a Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo ampliaram o mapeamento da biodiversidade local.
Criado em 1984, o Herbário Municipal é responsável pelo inventário da flora da cidade. Atualmente, mais de 5 mil espécies de plantas já foram registradas no município, sendo cerca de 3.500 nativas. Dentre essas, 214 estão classificadas como ameaçadas de extinção no estado de São Paulo ou no Brasil, reforçando a necessidade de preservação dos ecossistemas.
Destaque – Plinia longifructa. Foto: Acervo SVMA





