Com sintomas mais intensos e recuperação mais lenta, vírus da gripe provoca alta nos atendimentos e preocupa médicos neste inverno, com o aumento dos casos em prontos-socorros.


O inverno de 2025 trouxe não apenas temperaturas mais baixas, mas também um aumento expressivo nos casos de gripe. Em hospitais públicos e privados, o número de atendimentos por sintomas gripais disparou. No Hospital Paulista, referência em otorrinolaringologia, o pronto-socorro tem registrado um movimento significativamente maior nos últimos dias.

“A gripe deste ano está vindo mais forte. Os sintomas são mais intensos, com febre alta, dor no corpo e muita congestão nasal. E o que chama atenção é que ela está durando mais também”, afirma o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, médico otorrinolaringologista do Hospital Paulista. “Pacientes que normalmente se recuperariam em uma semana estão levando até duas semanas para melhorar.”

Segundo especialistas, a combinação entre a baixa adesão à vacina contra a influenza e as características do clima deste inverno — mais seco e com temperaturas mais rigorosas — tem favorecido a disseminação do vírus. Dados do Ministério da Saúde mostram que a cobertura vacinal no país está abaixo de 40%, muito aquém da meta de 90%.

Além disso, boletins recentes indicam que até 40% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados em junho tiveram como causa a gripe, especialmente os vírus influenza A e B.

“O que vemos no consultório e no pronto-socorro é uma gripe com comportamento mais agressivo. Muitos pacientes precisam de medicação mais forte, repouso prolongado e, em alguns casos, acompanhamento por mais tempo e internações”, destaca o Dr. Pizarro. Ele reforça a importância da vacinação e das medidas de prevenção, como boa higiene das mãos, uso de máscara em locais fechados e ventilação adequada dos ambientes.

O especialista ainda alerta para a necessidade de diferenciar a gripe de outras doenças respiratórias que possuem sintomas iniciais semelhantes, como o resfriado comum e a rinite alérgica. “A gripe, especialmente quando causada pelo vírus influenza, é geralmente mais grave. Costuma apresentar febre alta, mal-estar intenso e, em alguns casos, dificuldades respiratórias que podem evoluir para quadros pulmonares”, explica o médico.

Já o resfriado comum tende a ser mais leve, com sintomas restritos às vias nasais, como coriza e espirros, podendo ocorrer febre baixa. “Normalmente, é uma condição autolimitada, que dura de 7 a 10 dias, sem provocar cansaço extremo ou interferência significativa nas atividades diárias”, completa.

A rinite, por sua vez, é caracterizada por secreção nasal transparente, espirros e obstrução nasal, mas não provoca febre. “É uma condição mais persistente e pode durar mais de 10 dias, muitas vezes associada a fatores alérgicos”, conclui o Dr. Pizarro.

Com os próximos dias ainda marcados por temperaturas baixas em boa parte do país, autoridades de saúde alertam para a necessidade de redobrar os cuidados, sobretudo com crianças, idosos e pessoas com comorbidades.


Destaque – Imagem: aloart / GImg / IA


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