O lipedema é uma doença crônica que afeta cerca de 11% das mulheres em todo o mundo, sendo caracterizada pela acumulação anormal e simétrica de gordura subcutânea, especialmente nas pernas e coxas.


Embora mais raramente, a doença também pode ocorrer em homens. Apesar da sua elevada prevalência, é frequentemente subdiagnosticado e confundido com outras condições, como obesidade ou linfedema, o que pode comprometer o acesso ao tratamento adequado.

Tipos de lipedema

Esta condição pode manifestar-se de diferentes formas, dependendo das áreas do corpo afetadas, e é possível que uma pessoa apresente mais de um tipo simultaneamente. Os principais tipos incluem:

Tipo I: A gordura acumula-se entre o umbigo e o quadril.
Tipo II: A gordura concentra-se entre a pélvis e os joelhos.
Tipo III: A gordura estende-se da pélvis aos tornozelos.
Tipo IV: A gordura localiza-se entre os ombros e os pulsos.
Tipo V: A acumulação de gordura concentra-se entre os joelhos e os tornozelos.

Sintomas do lipedema

O lipedema pode apresentar vários sintomas, sendo os principais:

:: Acumulação de gordura: depósitos de gordura desproporcionais nas pernas, tornozelos, quadris e, por vezes, nos braços.
:: Dor e sensibilidade: as áreas afetadas podem ser dolorosas ao toque e apresentar uma maior sensibilidade.
:: Hematomas fáceis: tendência para o aparecimento de hematomas sem causa aparente.
:: Inchaço: edema que pode piorar ao longo do dia, especialmente com a permanência prolongada em pé ou sentada.
:: Sensação de peso: sensação de pernas pesadas ou cansadas, dificultando a mobilidade.

Causas e Fatores de Risco

A causa exata permanece desconhecida. No entanto, fatores genéticos parecem desempenhar um papel significativo, uma vez que muitos doentes relatam um histórico familiar. Além disso, alterações hormonais, como as que ocorrem durante a puberdade, a gravidez ou a menopausa, podem desencadear ou agravar a condição.

Diagnóstico

O diagnóstico de lipedema é clínico, baseando-se no exame físico e na avaliação dos sintomas característicos. Durante a consulta, o médico observa as áreas afetadas e avalia sinais específicos, como a dor à pressão nos depósitos de gordura – um dos fatores que ajudam a distinguir esta condição.

É crucial diferenciar esta condição de outras patologias com manifestações semelhantes, como a obesidade ou o linfedema, pois esta distinção é determinante para orientar o tratamento adequado e melhorar a qualidade de vida do doente.

Tratamento do lipedema

Embora não haja uma cura, existem diversas abordagens terapêuticas que podem ajudar a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos doentes, tais como:

:: Terapia de compressão: uso de roupas de compressão para reduzir o inchaço e dar suporte às áreas afetadas.
:: Drenagem linfática manual: Massagem especializada que estimula o sistema linfático para drenar o excesso de líquidos acumulados.
:: Exercício físico: Atividades de baixo esforço, como caminhada ou natação, podem melhorar a circulação e reduzir o inchaço.
:: Lipoaspiração: Procedimento cirúrgico com um grau de invasividade relativamente baixo, que remove a gordura acumulada, aliviando os sintomas e melhorando a mobilidade.

O lipedema é uma condição complexa que, apesar de relativamente comum, continua frequentemente subdiagnosticada e mal compreendida. Um diagnóstico precoce e preciso, aliado a uma abordagem multidisciplinar e personalizada, é essencial para um tratamento adequado e uma melhor qualidade de vida.


Fonte: Hospital Lusíadas, Portugal


Destaque – Imagem: aloart / Getty Images


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