A repercussão do tarifaço americano ao Brasil não é só política, como querem enfiar goela abaixo dos brasileiros, setores importantes da economia preveem graves consequências que já estão em curso. Aos jornalistas, o presidente americano disse que poderá conversar com o presidente brasileiro “em algum momento, mas não agora”.


O ex-presidente Jair Bolsonaro, em postagem no X, disse que recebeu com senso de responsabilidade a notícia do aumento de 10% para 50% das importações brasileiras para os Estados Unidos, comunicada através de carta. “O Brasil caminha rapidamente para o isolamento e a vergonha internacional. A escalada de abusos, censura e perseguição política precisa parar.” E continuou, fazendo um apelo: “Peço aos Poderes que ajam com urgência, apresentando medidas para resgatar a normalidade institucional. Ainda é possível salvar o Brasil.”

Aço e Alumínio

Apesar do cunho político, as afirmações de Bolsonaro também remetem à economia. Para o setor de aço e alumínio, será inviável exportar para os EUA. Segundo a diretora de assuntos institucionais do Instituto Aço Brasil, Cristina Yuan, o país já é taxado em 50%. Para ela, se a tarifação for cumulativa, o setor arcaria com mais 50%. “O que dobra a nossa preocupação literalmente, porque se 50% já era uma tarifa elevadíssima e praticamente impeditiva de exportação, a de 100% inviabilizará a exportação do aço e alumínio”, reforçou a executiva, frisando que o faturamento anual da indústria do aço é da ordem de R$ 169 bilhões, disse em reunião na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados, na quinta-feira (10).

B3

Para especialistas da B3, o impacto à economia brasileira como um todo ainda é incerto, mas o efeito das tarifas sobre as ações de empresas de alguns setores já foi considerado relevante. “Para exportadores de bens industrializados, commodities e insumos industriais, a magnitude do impacto é grande”, afirmou à B3 o planejador financeiro e especialista em investimentos Jeff Patzlaff. Segundo ele, “empresas como Embraer e Suzano têm parte relevante de suas receitas atreladas às vendas aos EUA”, diz parte do texto.

São Paulo

Na sexta-feira (11), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, publicou no X sobre sua intenção de buscar soluções para as tarifas. “Acabo de me reunir com Gabriel Escobar, Encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, em Brasília. Conversamos sobre as consequências da tarifa para a indústria e agro brasileiro e também o reflexo disso para as empresas americanas. Vamos abrir diálogo com as empresas paulistas, lastreado em dados e argumentos consolidados, para buscar soluções efetivas. É preciso negociar. Narrativas não resolverão o problema. A responsabilidade é de quem governa.”

No sábado (12), Tarcísio disse, em coletiva de imprensa, que é preciso deixar a política de lado e reforçou apelo para o atual presidente brasileiro busque um acordo para evitar as retaliações que devem vigorar a partir de 1º de agosto.

Imprevisibilidade

Preocupados, líderes dos setores produtivos brasileiros se movimentam em prol de soluções. Ao mesmo tempo, políticos do partido que está no governo e apoiadores reagem com troças ao problema. Ao trocar medidas efetivas por paliativos e narrativas, invocar a recente Lei de reciprocidade e pensar em retaliações; a entrada em uma guerra econômica com o maior ator da economia mundial pode ter consequências inesperadas, como afirmam especialistas do setor econômico e de exportações.


Destaque – Donald Trump: “Talvez, em algum momento, eu possa falar com ele [Lula], mas não agora”. Foto: White House / Courtesy


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