Conceito conecta longevidade, autonomia e visão de longo prazo para o mercado imobiliário.
Um novo termo vem ganhando espaço nos debates sobre mercado imobiliário, arquitetura e longevidade: NOLT. No marketing, a sigla tem sido utilizada como New Older Living Trend para traduzir, de forma acessível, uma mudança relevante no comportamento de consumo da população madura. Já no contexto internacional e acadêmico, NOLT é reconhecido como Naturally Occurring Retirement Community, um conceito consolidado que orienta políticas públicas, planejamento urbano e modelos habitacionais associados ao aging in place.
Independentemente da nomenclatura, o fenômeno por trás do termo é inequívoco: estamos diante de uma transformação estrutural na forma como a sociedade passa a enxergar o morar ao longo do tempo, impulsionada pelo envelhecimento acelerado da população e por um público maduro que segue ativo economicamente e socialmente. O NOLT deixa de ser apenas uma tendência conceitual e passa a refletir uma nova forma de interpretar o morar na longevidade, baseada em autonomia, bem-estar integrado e visão de longo prazo.
O Brasil avança rapidamente para uma nova fase demográfica que começa a redesenhar oportunidades de negócios em diversos setores. Com o aumento da longevidade e a queda consistente da taxa de natalidade, forma-se um novo perfil de consumidor: mais velho, ativo, com maior expectativa de vida e demandas que ainda não foram plenamente atendidas pelo mercado imobiliário tradicional.
Esse envelhecimento populacional, antes tratado como projeção de longo prazo, já se impõe como realidade econômica. Estima-se que a população mundial com 60 anos ou mais alcance 1,4 bilhão de pessoas até 2030, um crescimento de aproximadamente 40% em apenas uma década. No Brasil, pessoas com 65 anos ou mais já representam cerca de 11% da população, formando um contingente relevante, com autonomia, poder de decisão e novas expectativas sobre qualidade de vida, moradia e pertencimento.
Esse movimento vem impulsionando mercados consolidados, como o de Senior Living. Globalmente, o segmento deve crescer de cerca de US$ 260 bilhões em 2025 para aproximadamente US$ 389 bilhões até 2032, com taxas anuais superiores a 5%. Os números indicam que investidores e incorporadores já reconhecem a longevidade como uma força estrutural de mercado, e não apenas como uma demanda assistencial.
Destaque – Imagem: aloart / G. I.



