Pesquisa do ChildFund revela percepções de insegurança e relatos de cyberbullying entre crianças e adolescentes.
Com o retorno às aulas, o ambiente escolar volta a concentrar não apenas interações presenciais, mas também dinâmicas que se estendem ao espaço digital e podem gerar riscos à saúde mental e outros perigos. É o caso do cyberbullying, prática caracterizada por ataques, humilhações e exposições feitas de forma recorrente na internet em razão da condição social, da aparência física ou de outras características de uma pessoa. Discussões, exclusões e rivalidades na escola tendem a migrar para ambientes como redes sociais, jogos on-line e aplicativos de mensagens, onde ganham maior visibilidade e ampliam os impactos sobre quem sofre as agressões.
“O cyberbullying potencializa os danos à pessoa que sofre bullying, especialmente em crianças e adolescentes, que ainda não desenvolveram totalmente o seu arcabouço psíquico para enfrentar tais questões”, explica Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund. Mudanças bruscas de humor, ansiedade, crises de pânico, tristeza persistente, irritabilidade, perda de apetite e isolamento social estão entre os sinais mais recorrentes entre as vítimas.
Dados do estudo Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, realizado pelo ChildFund, mostram que o ambiente on-line é percebido por adolescentes como um território marcado pela insegurança, exposição ao bullying e outras formas de violência. A pesquisa ouviu 8.436 adolescentes de 13 a 18 anos, de escolas públicas e privadas, em todas as regiões do país, combinando métodos quantitativos e qualitativos.
Os resultados revelam diferenças importantes na percepção de segurança on-line entre meninas e meninos. O sentimento de insegurança é relatado por 21% das meninas e por 10% dos meninos. Nos grupos focais, foram registradas sete menções a bullying feitas por meninas e três por meninos, indicando que elas podem sofrer cerca de 2,3 vezes mais ameaças desse tipo. Os relatos envolvem xingamentos, comentários maldosos, exposição da aparência física e assédio.
Destaque – Imagem: aloart / G. I.



