Antigamente, a carteira de motorista dizia quem podia dirigir. Agora, ela diz muito sobre quem somos. Esse aspecto histórico foi trazido pela Dona Albrech, redatora de saúde e negócios para o Smithsonian Institute dos Estados Unidos.
“O que antes era um simples cartão de papel evoluiu com a tecnologia dos tempos, passando de protetor de nossas estradas a desempenhar um papel na segurança nacional”, descreveu Dona no artigo The Driver’s License Used to Say Who Can Drive. Now It Says a Lot About Who We Are.
Entre o final do século XIX e o início do século XX, uma novidade invadia as ruas com ronco de motor e fazia um barulho estridente com buzina que assustava os cavalos e as pessoas. “Pelas ruas de São Francisco, os automóveis fervilham e soltam vapor”, lamentava o jornal San Francisco Call em dezembro de 1901, enquanto “o novo terror da locomoção se somava ao trânsito,” apurou ela.
Qualquer um podia dirigir um carro a motor, sem limites de velocidade ou sinalizações. Placas e demais recursos vieram só depois. “Eventualmente, os governos locais lideraram os esforços para controlar esses veículos sem cavalos. Chicago introduziu um exame de 18 questões para motoristas em 1899, enquanto outras jurisdições se concentraram em licenciar os veículos, como Nova York, por exemplo, fez em 1903. A Pensilvânia instituiu o primeiro requisito de idade para motoristas em 1909,” diz Dona Albrecht.

Uma simples licença de papel de Indiana, de 1940, e uma licença da Califórnia pertencente a Alfred Hitchcock que foi vendida por US$ 8.125 em um leilão de Las Vegas em 2008. Wiki Commons (2)
A primeira carteira de motorista dos EUA, surgiu em 1910 com foto na parte de trás do documento feito de papel e a Califórnia tornou-se o primeiro estado a apresentar a foto na frente, em 1958. Mas logo as carteiras passaram a conter outros dados pessoais como altura, cor dos olhos, se o motorista usava óculos e viraram documento de identidade.
De acordo com a história descrita por Dona, as carteiras eram fáceis de falsificar, até que a IBM pôs um fim ou dificultou o trabalho dos falsificadores com uma tarja magnética em 1960.
“Mais tarde, após os terroristas do 11 de setembro terem burlado a segurança dos aeroportos usando documentos de identidade falsificados, os estados adicionaram recursos de segurança mais rigorosos. As carteiras de habilitação atuais agora possuem hologramas que aparecem quando a carteira é inclinada, microimpressão (texto oculto dentro de outro componente visual) e, às vezes, minúsculas perfurações feitas a laser para formar uma imagem específica do estado (na Califórnia, por exemplo, é um urso pardo)”, informa a jornalista.
Agora as carteiras digitais estão cada vez mais presentes no mercado. “Estados do Havaí à Louisiana estão começando a aceitar carteiras virtuais, emitidas por smartphones ou até mesmo smartwatches. Alguns estados, como Michigan, permitem até mesmo que você faça a prova teórica de direção online. De qualquer forma, na hora de dirigir, você precisará de um documento de identidade.”
Curiosidade:
Você sabia? O interesse em dirigir está diminuindo.
Nos Estados Unidos, as carteiras de habilitação estão se tornando cada vez menos comuns, especialmente entre os jovens. Há trinta anos, quase 48% dos jovens de 16 anos nos EUA possuíam carteira de habilitação. Em 2018, esse número havia caído quase pela metade, para 25,6%.
Destaque – Imagem: Arquivos Nacionais / Smithsonian Institute



