Doutora Maria José Guardia Mattar é o seu nome. Médica pediatra e Neonatologista, fez um grande trabalho para que muitos bebês crescessem saudáveis.


A reportagem da editoria de Saúde da então revista Alô Tatuapé – a mesma presente neste portal de notícias –, entrevistou a Dra. Maria José em abril de 1999. Sob o nome Banco de Leite Humano, essa unidade foi criada no interior do Hospital Leonor Mendes de Barros em 1988, passando à coordenação da médica em 1991. A reportagem teve o mesmo foco que continua: incentivar a doação de leite humano para auxiliar as novas mamães e seus bebês.

 

Enfermeira dá o leite materno em copinho para um bebê prematuro que não pode receber o leite in natura da mãe. Foto e legenda: aloimage / arquivo / 1998

 

“Na época enfatizamos que o problema para a família e principalmente para as mamães é o aleitamento no Hospital, quando o recém-nascido apresenta problemas na saúde ou partos prematuros. Presenciei um bebê prematuro recebendo o aleitamento, chegou a me impressionar de tão pequeno”, lembra o jornalista Gerson Soares que na época mostrou esse lado humano da doação de leite com detalhes em três páginas da revista. A reportagem foi publicada em maio de 1999. De acordo com os levantamentos feitos à época no estado de São Paulo, em 1998 foram coletados 10.790 litros de leite materno e distribuídos 7.805 litros, para 2.031 receptores (bebês).

 

Banco de Leite mantêm congelados colostro e leite humano de doadoras: rico alimento é oferecido para bebês do berçário. Foto e legenda: aloimage / arquivo / 1998

 

Esforços continuam

Campanha promovida pelo Governo do Estado, entregou cerca de 22,6 mil litros de leite materno disponibilizados pelos 58 bancos de leite humano (BLH) e 45 postos de coleta. O levantamento foi divulgado na última sexta-feira (23/08) pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e revela que somente em 2024 foram 23.338 receptores beneficiados com 22,6 mil litros de leite de acordo com o órgão, os serviços visam a promoção ao aleitamento materno, ação celebrada no Agosto Dourado, mês pensado para sensibilizar a população a respeito da doação do alimento considerado “ouro”.

Essencial para a proteção e o desenvolvimento dos bebês, o leite é fundamental nos seis primeiros meses de vida e recomendável até os dois anos de idade ou mais. É por meio da amamentação que a criança recebe nutrientes e anticorpos, que a protege contra várias doenças e ajuda a prevenir diarreias, infecções, sobretudo as respiratórias, evitando ainda o agravamento dos quadros de saúde de bebês prematuros.

Para Roberta Ricardes Pires, da Área Técnica de Saúde da Criança da SES, o trabalho do BLH é fundamental para a redução da mortalidade infantil, tendo em vista que o nascimento prematuro é a principal causa de morte entre recém-nascidos. “Os bancos são um meio de levar aos bebês internados em unidades neonatais a fonte de vida, que naquele momento é o leite, seja da mãe ou da doadora”.

Compartilhando e incentivando a doação

“É importante que as mães saibam que no início da lactação, principalmente no primeiro mês de vida do bebê, a mãe produz maior quantidade de leite que a necessidade. Esse leite excedente poderá ser doado a um Banco de Leite Humano, sendo pasteurizado e submetido a rigorosos controles, a fim de preservar a qualidade original, e estocado para ser fornecido a bebês prematuros, com baixo peso e doentes que não podem ser amamentados desde o início de suas vidas. Doe seu leite em excesso, por que mais do que mamíferos nós somos humanos”, já ensinava a Dra. Maria José há 25 anos, durante a entrevista.

 

Dra. Maria José tem cuidados extremos na manipulação e controle do leite doado, um líquido precioso; ao seu lado Maria Rosa e sua filha Mariana que o privilégio de poder mamar quando quer; e Fabiane, grávida de 9 meses que também pretende amameentar, prestes a dar à luz o seu segundo filho. Ambas foram convidadas pela reportagem para conhecer o Banco de Leite para ajudar na conscientização e incentivar a doação. Foto e legenda: aloimage / arquivo / 1998

 

Atualmente, o sentimento de extrema gratidão é o mesmo do lado de quem recebe o alimento “ouro”. A garçonete Flávia Silva Gomes da Cruz, de 26 anos, e mãe de Luan Alves, de 2 meses, conta que seu bebê, nascido prematuro com 28 semanas, precisou ser internado e desde 26 de julho está recebendo o suporte do BLH, devido a uma bactéria contraída em função da prematuridade.

“Para as mulheres que fazem esse ato de amor que é a doação do leite, eu só tenho a agradecer, tanto a elas, quanto o banco de leite que faz um trabalho tão atencioso e nos incentiva mostrando que o leite materno é o melhor para nossos filhos”, comenta Flávia. A mãe está na expectativa de que em breve Luan seja liberado e ela possa amamentá-lo. “Desejo que nos próximos dias ele possa estar junto comigo, sendo amamentado e eu acompanhando de perto o desenvolvimento de cada passo dele”.

 

“O meu propósito se tornou conseguir doar leite. Acredito que este é um gesto de empatia e compaixão”, afirma a doadora Gabriele Gonçalves Marques Cardoso. Foto: Portal do Governo / Divulgação

 

Unidades de referência para doação no estado

O Banco de Leite Humano Maria José Guardia Mattar, do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, está localizado na Av. Celso Garcia, 2477 – Belenzinho, São Paulo – SP – Telefone: (11) 2847-7000.

O Banco de Leite Humano Anália Ribeiro Heck, no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, no interior do estado, é outra referência. Estas são as duas principais unidades referenciais da rede paulista.


Destaque – Foto: Portal do Governo / Divulgação


Publicação:
Sábado | 24 de agosto, 2024


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