O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, admitiu em depoimento à Polícia Federal ter conversado com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), no contexto da investigação que apura fraudes bilionárias envolvendo a venda do banco ao Banco de Brasília (BRB). O conteúdo da oitiva, realizada em 30 de dezembro, foi divulgado nesta sexta-feira (23) e gerou reação política, incluindo pedidos de impeachment contra o governador.
Mas a influência entre políticos seria muito mais abrangente, envolvendo todos os poderes, segundo o próprio banqueiro admitiu.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal no dia 30 de dezembro, e o conteúdo da oitiva foi divulgado nesta sexta-feira (23). A investigação apura fraudes bilionárias envolvendo a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), no âmbito da operação Compliance Zero.
Em seu depoimento, Vorcaro admitiu ter conversado com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF). “Conversei em algumas poucas oportunidades, sim. Já foi à minha casa, se não me engano, uma vez. Eu já fui à casa dele, e a gente se encontrou poucas vezes”, afirmou.
Ibaneis Rocha, que pretende se candidatar ao Senado neste ano, negou qualquer tratativa relacionada ao caso. “Nunca tratei nada relacionado ao BRB com o Vorcaro. Todas as tratativas foram feitas pelo Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB”, declarou ao Correio Braziliense.
Após a divulgação do depoimento, a oposição ao governador pediu seu impeachment, ainda na sexta-feira, citando a revelação da PF sobre as investigações envolvendo a operação Compliance Zero.
Influência política
Durante o depoimento, Vorcaro adotou um tom irônico ao ser questionado sobre seu relacionamento com políticos, deputados e senadores. “Pergunta se eu tenho alguns amigos de todos os poderes. Não consigo nominar aqui individualmente quem frequentava a minha casa. Também não vejo qual a relação com o caso”, respondeu.
Ao ser indagado pela delegada da Polícia Federal se teria conversado com outras autoridades públicas — como ministros, parlamentares, secretários de Estado ou dirigentes de órgãos públicos — sobre a aquisição do Banco Master pelo BRB, Vorcaro negou. “Além do governador que eu já mencionei e das autoridades do Banco Central, nenhuma”, afirmou.
Questionado ainda se teria solicitado ou autorizado que alguém pedisse intervenção política junto ao Banco Central em favor do Banco Master, Vorcaro respondeu que não.
Destaque – Fachada do Banco Master na Rua Elvira Ferraz, no Itaim Bibi – SP. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil



