Demandas por mais policiamento e por uma administração própria acompanham a evolução do bairro desde os anos 1990 e seguem presentes no debate público local.


O crescimento urbano e econômico do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, também trouxe desafios históricos ligados à segurança pública e à gestão administrativa do bairro. Desde o fim dos anos 1990, moradores e representantes de entidades locais buscam soluções junto ao poder público para atender às demandas de uma região que se expandiu rapidamente.

Em 1998, lideranças comunitárias do Tatuapé estiveram reunidas com o então governador do Estado de São Paulo, Mário Covas (1930–2001). Na pauta estava o pedido de reforço no policiamento local, diante da preocupação com a criminalidade. Na ocasião, o governador atendeu prontamente às reivindicações, proporcionando um período de alívio à população.

Três anos depois, em setembro de 2001, a então revista Alô Tatuapé — atualmente portal AT Notícias — voltava a alertar para uma nova onda de delinquências e crimes na região. Na época, a publicação destacava que, enquanto a edição era finalizada, novas reclamações de moradores continuavam chegando. A reportagem trazia o título “Tatuapé já passou por crise igual”, indicando que o problema ocorria em ciclos.

Reportagem do Alô Tatuapé, janeiro de 1998. Foto: aloimage

 

Reivindicação por administração própria

Na virada do século, além da preocupação com a segurança, moradores e representantes de entidades defendiam a criação de uma Administração Regional própria para o Tatuapé. O pedido levou lideranças comunitárias a reuniões tanto na sede da Prefeitura, no Palácio das Indústrias, quanto no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.

Em outubro de 1998, uma nova comissão formada por representantes de dez entidades foi recebida pelo então prefeito de São Paulo, Celso Pitta. A audiência contou também com a presença do então vereador Toninho Paiva (1942–2022).

Na reunião, os representantes argumentaram que o bairro dependia de três administrações regionais — Mooca, Penha e Vila Formosa — para resolver questões administrativas. Essa divisão gerava confusão entre os moradores e lentidão na solução de demandas locais.

Após ouvir as reivindicações, o prefeito reconheceu a importância econômica e social do bairro e afirmou que a proposta teria fundamento, sinalizando a possibilidade de criação de uma regional própria em curto prazo.

Projeto não saiu do papel, restava a expectativa com as subprefeituras

Apesar da expectativa, a criação da administração própria para o Tatuapé não se concretizou. A proposta também teve apoio do então deputado estadual Ricardo Izar (1938–2008), que defendia maior autonomia administrativa para o bairro.

Anos depois, já como deputado federal, Izar ganharia notoriedade ao presidir o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados durante as investigações do Escândalo do Mensalão, condenando os mensaleiros pela sua conduta.

Uma nova esperança surgiu no início dos anos 2000 com o projeto de criação das subprefeituras na capital paulista. A medida foi oficializada em 2002 por meio da Lei nº 13.399, promulgada durante a gestão da prefeita Marta Suplicy, com o objetivo de descentralizar a administração municipal.

 

Rua Boa Esperança: fios pelo chão, falha na limpeza urbana, insegurança e abandono. Foto: aloimage

 

Mesmo assim, o Tatuapé continuou dividido administrativamente. Hoje o bairro é atendido pela Subprefeitura Mooca, responsável também pelos distritos da Água Rasa, Belém, Brás, Mooca e Pari.

Para lideranças locais, a existência de uma subprefeitura própria poderia agilizar ações administrativas e facilitar a articulação com órgãos de segurança pública. A participação da Subprefeitura Mooca em reuniões do Conselho de Segurança do Tatuapé e em operações conjuntas com a Polícia Militar demonstra, a importância de uma gestão mais próxima da realidade local.

Enquanto o bairro segue em expansão e mantém forte relevância econômica e social na zona leste da capital, moradores continuam defendendo maior autonomia administrativa e medidas mais efetivas para enfrentar os desafios da segurança.


Destaque – Casa totalmente pichada na esquina da Rua Boa Esperança e Rua João Chrisóstomo Filho: na fachada a placa de vigilância que usa o nome do 30º DP. Foto: aloimage


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