Programa Cientista Mirim Alberto Torres teve primeira edição iniciada em 25 fevereiro; estudantes desenvolverão projeto com cientistas do Instituto Butantan.


A Escola Superior do Instituto Butantan (ESIB) realiza, neste semestre, em edição inédita, o primeiro Programa Cientista Mirim Alberto Torres. Nove estudantes foram escolhidos pela EE Alberto Torres para integrarem o programa que deve se estender até o mês de julho. Cada um dos jovens escolhidos conta com um orientador para desenvolver um projeto ao longo de um semestre.

A parceria inédita faz parte dos esforços de reaproximação do Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo, com a escola centenária vizinha ao Instituto Butantan.

“Esse é um marco histórico desse trabalho conjunto que estamos empreendendo. Um resgate da história”, celebrou Rui Curi, vice-diretor do Instituto Butantan, durante a abertura do programa na escola no dia 25 de fevereiro em São Paulo.

A parceria com a instituição de ensino segue moldes do Programa Cientista Mirim e a edição na Alberto Torres foi criada, organizada e coordenada por Vanessa Olzon Zambelli, pesquisadora do Laboratório de Dor e Sinalização (LEDS) do Butantan, e seus colegas Bianca Zychar, Hugo Vigerelli e Marcia Angare.

O projeto teve ainda participação de Karina Cruz, coordenadora do Núcleo de Projetos e Cursos de Especialização da ESIB, que intermediou o caminho entre o corpo docente da escola e o Instituto Butantan. O Programa Cientista Mirim inaugura a parceria entre as instituições.

Com os nove alunos presentes, a diretora da escola, Lidia Selestino Moura, discursou comemorando a parceria e incentivando os estudantes a seguirem no programa.

“Um projeto como esse se dá com essa concretização, com o ideal do sonho da escola pública que busca ampliar os horizontes, aproximar os nossos jovens da ciência e também mostrar na prática que o conhecimento não está distante da realidade de cada um de vocês. Tenho certeza que isso será apenas o começo em suas trajetórias,” incentivou.

Cada um dos selecionados escreveu carta de intenções para participarem do projeto. “Sentimos na carta de vocês uma sinceridade com o que vocês escreveram, dando a certeza que tudo representa o que de fato sentem”, declarou Rui Curi aos estudantes.

 

Fachada do Butantan, que comemorou 125 anos no dia 23 de fevereiro último. Foto: Mateus Serrer, Renato Rodrigues / Instituto Butantan

 

Entenda a relação da EE Alberto Torres com o Instituto Butantan

No século passado, a EE Alberto Torres esteve inserida dentro do mesmo espaço do Insituto Butantan, com o nome de “Escola Isolada Mista do Instituto Serumtherápico” na gestão de Vital Brazil, em 1908. Eunice Caldas (1879-1967), irmã de Vital, chegou a dar aulas na instituição que funcionava com dois modelos: durante o dia, os filhos dos funcionários tinham aula e, à noite, os próprios trabalhadores.

Inicialmente, feitos em um barracão, os ensinos passaram a ser na Casa Rosada, onde hoje é o Museu da Vacina, já com o nome “Grupo Escolar Rural do Butantã”, em 1932. Devido ao número de estudantes, cerca de 1.500, foi cedido uma área da então Fazenda Butantan para a Secretaria de Estado da Educação onde, desde a década de 1950 funciona a Escola Estadual Alberto Torres.

Quer fazer parte?

A Escola Superior do Instituto Butantan (ESIB) está com inscrições abertas para o Programa Cientista Mirim 2026. Iniciado em 2023, o programa está na sua quarta edição e recebe estudantes do Ensino Médio das redes públicas e privadas da região metropolitana de São Paulo. Eles podem se inscrever até 25 de março. Ao todo, são 13 vagas – mesmo número de projetos disponíveis no edital.

Com duração de seis meses, o curso é presencial, gratuito e tem como objetivo estimular o interesse científico e desenvolver habilidades essenciais para o futuro acadêmico dos jovens adolescentes, com aulas teóricas e práticas nos laboratórios do Instituto Butantan para desenvolver um projeto previamente listado em edital com pesquisador-orientador designado.

O programa tem início previsto para 2 de junho e se estende até dezembro. A participação nele é totalmente voluntária, não é remunerada e não estabelece vínculo empregatício entre o Butantan e o estudante. As inscrições devem ser realizadas por meio do site oficial.

Origem do Instituto Butantan

A criação do Instituto Butantan está ligada ao combate a um surto de Peste Bubônica que atingiu o estado de São Paulo no final do século XIX. Em 1899, a doença se espalhava a partir do Porto de Santos, o que levou o governo estadual a criar um laboratório para produzir soro antipestoso.

Inicialmente vinculado ao Instituto Bacteriológico — atual Instituto Adolpho Lutz — o laboratório foi instalado na Fazenda Butantan, na zona oeste da capital paulista.

Em fevereiro de 1901, a unidade passou a funcionar como instituição autônoma, recebendo o nome de Instituto Serumtherápico, que mais tarde se tornaria o atual Instituto Butantan.

O primeiro diretor foi o médico e cientista Vital Brazil, referência em pesquisas sobre venenos e saúde pública no país.


Destaque – Conjunto arquitetônico do Instituto Butantan, reconhecido pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT). Foto: Instituto Butantan


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