Gênero literário dialoga diretamente com o universo infantil, marcado por imagens, movimento, sons e aventuras.
O Dia do Quadrinho Brasileiro, comemorado no dia 30 de janeiro, reforça que a linguagem pode ir além do entretenimento e contribuir para a formação de leitores. A psicopedagoga e autora de livros infantojuvenis há cerca de 28 anos, Paula Furtado, afirma que as histórias em quadrinhos favorecem o desenvolvimento cognitivo das crianças ao integrar imagem e texto, fortalecendo a compreensão, a atenção e a organização do pensamento.
“Entendo que esse gênero literário se destaca, há anos, como uma leitura singular, capaz de envolver crianças e adolescentes com a narrativa e seus protagonistas, despertando uma conexão emocional que estimula a formação do hábito de ler, justamente por dialogar diretamente com o universo infantil, marcado por imagens, movimento, sons e aventuras”, explica a profissional formada pela PUC-SP, com especialização em Psicopedagogia e Neuropsicopedagogia na Facon-SP.
Paula, que também é contadora de histórias, diz que as publicações em quadrinhos têm outro diferencial porque respeitam o tempo da criança, ao permitir que ela observe, releia e explore os detalhes, para a realização de uma leitura ativa, e não passiva. “Isso ocorre porque os quadrinhos são repletos de nuances que sugerem movimento e ação dos personagens, o que potencializa a memória, o raciocínio e a capacidade de interpretação das crianças”.
Ferramenta educacional
Com o avanço das tecnologias e da internet, o acesso aos quadrinhos se transformou, ampliando as possibilidades de uso no ambiente escolar. Ao integrar o formato aos projetos pedagógicos, tanto em versões físicas quanto digitais, as escolas ampliam o incentivo à leitura, assim como a alfabetização e o letramento visual, ao ampliar as possibilidades de compreensão e interpretação por meio da conexão entre narrativa, imagem e o contexto cotidiano dos estudantes. “Com a mediação adequada, os gibis se tornam uma ferramenta pedagógica capaz de aproximar os estudantes do conhecimento de forma mais afetiva e significativa, em sintonia com a linguagem própria da infância”, pontua.
Ao celebrar o legado de desenhistas consagrados, destacar novos talentos e ampliar o acesso à cultura, à informação e à imaginação, a data, para Paula, também reforça a pluralidade de temáticas livres e, sobretudo, a importância do universo simbólico para o desenvolvimento integral do público infantojuvenil.
Destaque – Imagem: Dia do Quadrinho. Fotos: Divulgação



