O novo fenômeno escandaloso de pessoas ligadas ao poder central brasileiro, conhecido como Caso Master, começou com a investigação da Polícia Federal a respeito de um mecanismo que envolvia a venda de títulos e carteiras de crédito consignado sem lastro para o Banco de Brasília (BRB). Transação vetada pelo Banco Central (BC) no dia 18 de novembro, a autoridade monetária também decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.


O dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso antes de embarcar para Dubai, onde alegou que concretizaria a venda da instituição financeira a um grupo dos Emirados Árabes Unidos. Nessa operação, chamada de Compliance Zero, a Polícia Federal também prendeu outros executivos do Master e vários documentos relacionados às fraudes.

Vorcaro ficou preso por 11 dias e sua defesa conseguiu enviar a investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ao assumir a relatoria, o ministro Dias Toffoli viajou em companhia de um dos advogados de defesa do caso em um jatinho para ver a final da Copa Libertadores da América em Lima, Peru, entre Flamengo e Palmeiras.

Ao retornar, Dias Toffoli decretou sigilo absoluto sobre o caso. Antes que tudo isso acontecesse, seu colega, o ministro Alexandre de Moraes, teria ligado para o presidente do BC, Gabriel Galípolo – seis vezes apurou o Estadão –, para saber sobre o processo do Master. Mas ele nega e diz que as ligações foram para tratar das sanções via Lei Magnitsky.

Destaques escabrosos

Dentre os destaques, apontamos duas facetas interessantes deste episódio da cultura corruptiva que parece aumentar em escala geométrica no país, onde os escândalos alarmam.

O primeiro destaque diz respeito ao próprio relator, ministro Dias Toffoli do STF. Segundo a Folha de S.Paulo apurou, empresas ligadas ao irmão e a um primo do ministro do STF teriam sociedade — desfeita em meados de 2025 — com um fundo de investimentos fraudulentos ligados ao Banco Master. O fundo Arleen, com participação na Tayayá Administração e Participações, fazia a gestão de um resort em Riberão Claro (PR) e também fez aportes na incorporadora imobiliária DGEP Empreendimentos, que tinha entre os sócios um primo do magistrado na mesma cidade paranaense. O fundo Arleen foi cotista do RWM Plus e recebeu recursos do fundo Maia 95 — um dos seis fundos citados pelo BC como parte do suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master.

 

Imagem: aloart / G. I.

 

Recuos e reviravoltas

O segundo destaque se refere a uma série de ações que envolvem o Tribunal de Contas da União (TCU) e os ministros Jonathan de Jesus e o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, que indignou-se a pedir uma inspeção técnica no BC no dia 2 de janeiro, visando relatórios e documentos que levaram a instituição a vetar a transação do Master com o BRB. Por sua vez, Jonathan, no dia 5, considerou bloquear os ativos do Master, segundo a Reuters. No dia 6, o BC recorreu do pedido de inspeção.

O primeiro recuo veio depois que o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou uma representação contra Jonathan ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ele recuou e admitiu rever a inspeção, enquanto Vital do Rêgo disse que somente o STF poderia reverter a liquidação do Banco Master. O que leva ao ministro Dias Toffoli. No dia 8, Jonathan suspende a inspeção no BC. Sem a inspeção que até então era necessária, os auditores do TCU descartam negligência do BC no dia 10 de janeiro. Por fim, o BC de Galípolo também recua e aceita a inspeção do TCU, que deve ser concluída em torno de um mês.

Este é um resumo que se desdobra em mais 18 atos, divulgados hoje (13) pela Gazeta do Povo e na imprensa. As apurações feitas, também a partir de outras mídias e agências de notícias, demonstram e é possível discernir o envolvimento contínuo de altos cargos brasileiros em mais um caso de fraude bilionária.

“O Banco Central quer o selo de qualidade do TCU. O Banco Central quer a segurança jurídica que o TCU pode dar, porque este processo não é um processo meramente administrativo, é um processo administrativo e criminal”, disse Vital do Rêgo à imprensa, após se reunir com o presidente do BC. As reviravoltas possuem todos os elementos para continuar.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


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