A presença do crime organizado dentro das instituições públicas brasileiras deixou de ser exceção para se tornar um problema sistêmico.
Levantamento da Gazeta do Povo expõe como facções e grupos criminosos se infiltraram em gabinetes, polícias e corregedorias, colocando em risco a soberania do Estado. O especial Narcoestado, traz revelações sobre a infiltração do crime organizado em estruturas de gabinetes, polícias e corregedorias, além da presença de integrantes dessas organizações nas folhas de pagamento do Estado brasileiro de forma ampla.
De acordo com as investigações, não se trata apenas das facções mais conhecidas — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Há dezenas de outros grupos criminosos de atuação regional e uma infiltração sistêmica de facções que ameaça a soberania das instituições brasileiras.
A Polícia Federal (PF) passou a investigar a Polícia Civil de São Paulo após o assassinato de Vinicius Gritzbach, apontado como delator do PCC, ocorrido em plena luz do dia no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). Em fevereiro do ano passado, a PF já havia indiciado 14 pessoas por crimes de corrupção, extorsão, tráfico de drogas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Entre os indiciados estavam quatro policiais civis de São Paulo, incluindo um delegado.
Em março, três policiais militares foram indiciados pelo assassinato. Em abril, a Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo indiciou 17 PMs, dos quais 13 integravam a escolta particular de Gritzbach. Em tese, policiais são proibidos de atuar como seguranças particulares, mesmo durante as folgas. A execução do delator ocorreu justamente sob a proteção dessa escolta.
Com base nas investigações das polícias Federal, Militar e Civil, além das apurações do Ministério Público de São Paulo, o G1 apontou o envolvimento de ao menos 27 policiais paulistas com o PCC e o CV.
Destaque – Imagem: aloart / G. I.



