Terceiro a votar, divergiu dos ministros Moraes e Dino, que votaram pela condenação de todos os acusados.


O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), concluiu na noite da quarta-feira (10) seu voto na Ação Penal (AP) 2668.

Na sessão da manhã, Fux já divergia pelas questões preliminares. Ele entendeu que o STF é incompetente para analisar o caso e que o processo deveria ser anulado. Mas, se fosse reconhecida a competência da Corte, o ministro defendeu que o caso deveria ser julgado pelo Plenário, e não pela Turma. Fux também considerou que houve cerceamento da defesa, em razão do tempo curto para examinar o grande volume de documentos dos autos.

Organização criminosa

Para Fux, os fatos narrados na acusação não permitem sua classificação como crime de organização criminosa, pois a Procuradoria-Geral da República (PGR) não comprovou que houve uma associação permanente de pessoas para a prática de crimes, de forma estruturada e ordenada e com divisão de tarefas. O ministro também afastou o agravante de organização criminosa armada, por falta de prova do efetivo emprego da arma de fogo na atividade criminosa.

Golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito

Em relação ao primeiro crime, Fux considera que ele requer a deposição violenta do governo legitimamente constituído. Mesmo um “autogolpe” para prolongar indevidamente a permanência no poder não se enquadra no crime de golpe de Estado, já que não há deposição de um governo eleito.

Para a configuração do segundo crime, o ministro entende que é necessário que a conduta seja capaz de criar um perigo real e que haja intenção de derrubar todos os elementos da democracia, como a liberdade de expressão, o voto, a separação de Poderes e a soberania da Constituição. Acampamentos, faixas e aglomerações são manifestações políticas e não configuram crime.

Dano qualificado e depredação de patrimônio

Quanto aos crimes de dano qualificado e de dano a bem tombado, Fux considerou que não há prova nos autos de que os réus tenham determinado a destruição de bens que integram o patrimônio da União, incluindo bens tombados de valor inestimável, faltando, ainda, a mínima individualização das condutas e dos danos, descritos de forma demasiadamente genérica pela PGR.

O voto do ministro Fux em relação a cada réu

Mauro Cid

Fux votou para condenar o colaborador pelo delito de abolição do Estado Democrático de Direito. O ministro entende que a PGR comprovou que Cid concordava com a execução de atos criminosos e de natureza violenta e sabia dos planos “Punhal Verde e Amarelo” e “Copa 2022”, por ter participado de reuniões preparatórias, conseguido financiamento para sua execução e solicitado o monitoramento do ministro Alexandre de Moraes, uma das autoridades a serem eliminadas.

Almir Garnier

O ex-comandante da Marinha foi absolvido de todas as acusações. Para o ministro, a PGR não apresentou provas de sua adesão a uma tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, e o fato de Garnier ter participado passivamente de reuniões e ter dito que colocaria as tropas à disposição não corresponde a um auxílio material concreto.

Jair Bolsonaro

O ministro Luiz Fux votou pela absolvição do ex-presidente de todas as acusações. Segundo ele, os fatos narrados pela PGR não correspondem ao crime de golpe de Estado, que prevê a deposição do governante, pois o presidente na época era o próprio Bolsonaro. Para o ministro, também não é possível dizer que os crimes praticados nos atos de 8 de janeiro de 2023 seriam decorrência de discursos e entrevistas do ex-presidente ao longo do mandato.

Alexandre Ramagem

Para Fux, a ação penal em relação ao deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) deveria ser suspensa em relação a todos os crimes atribuídos a ele, e não apenas aos que ocorreram após sua diplomação, como decidiu a Turma. De acordo com o ministro, os crimes são permanentes, ou seja, continuaram a ocorrer mesmo após a diplomação. Na parte não suspensa (delitos de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito e golpe de Estado), Fux votou pela absolvição de Ramagem.

Walter Braga Netto

Fux votou pela condenação do ex-ministro da Casa Civil e da Defesa por tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, que se refere a apenas uma das acusações. De acordo com o ministro, ficou comprovado que o general planejou e financiou atos para a execução do ministro Alexandre de Moraes, o que, a seu ver, causaria comoção social, colocaria em risco a separação de Poderes e a alternância de poder e provocaria a erosão da confiança da população nas instituições.

Paulo Sérgio Nogueira

Para Fux, o ex-ministro da Defesa deve ser absolvido de todas as acusações. De acordo com o ministro, a PGR não comprovou que o general tenha praticado algum ato, ajuste, instigação ou auxílio material para a tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Augusto Heleno

O ministro votou pela absolvição do ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) por todos os crimes de que foi acusado. Fux afirmou que crítica às instituições não é crime. Apontou, ainda, que as anotações na agenda do general sobre o processo de votação, demonstrando desconfiança nas urnas eletrônicas, eram rudimentares e de caráter privado, inviabilizando sua utilização como prova.

Anderson Torres

Fux votou para absolver o ex-ministro da Justiça de todas as acusações. Para o ministro, não ficou comprovado que as blitze da Polícia Rodoviária Federal no segundo turno das eleições tenham sido ordenadas pelo ex-ministro. Também entende que Torres, que ocupava o cargo de secretário de Segurança do Distrito Federal e estava fora do país em 8 de janeiro de 2023, não pode ser responsabilizado pelos danos decorrentes dos atos antidemocráticos, pois a responsabilidade seria da Polícia Militar.


Com as informações do STF


Destaque – O ministro Luiz Fux durante os julgamentos Ação Penal 2668 – Núcleo 1. Foto: Antonio Augusto/STF


Leia outras matérias desta editoria

Flávio Bolsonaro participa de manifestação na Avenida Paulista e projeta a volta do pai em 2027

Filho do ex-presidente foi escolhido como seu sucesso e participou da 1ª manifestação em SP desde a sua pré-candidatura. Milhares de manifestantes ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (1º), durante o ato “Acorda Brasil”, que reuniu...

Gilmar Mendes blinda sigilo da Maridt que tem Dias Toffoli como sócio, relator da CPI do Crime organizado irá recorrer

As raízes do crime organizado estão sendo expostas em Brasília, DF. Não se trata apenas de ações isoladas, há supostos envolvimentos antigos e escabrosos que trazem o País aos dias nebulosos da atualidade. Por um lado, as confusões na CPMI do INSS para...

Flávio Bolsonaro: fala sobre “Projeto Brasil” em sintonia com Tarcísio e Nunes

Durante a cerimônia na Alesp que homenageou o presidente do Partido Liberal nesta sexta-feira (27), Flávio e Tarcísio demonstraram alinhamento, depois de polêmicas sobre ambos quanto às eleições de outubro. Desde que o senador e pré-candidato à Presidência...

Alesp homenageia Valdemar da Costa Neto, um dos maiores líderes políticos do Brasil

Valdemar iniciou a carreira na prefeitura de Mogi das Cruzes, ganhou projeção nacional como deputado federal e consolidou-se no Congresso como um articulador habilidoso, suportando pressões e mantendo-se fiel nos momentos difíceis pelos quais a República...

CPMI do INSS aprova quebra de sigilos de Lulinha e governistas partem para a briga

A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (26), em votação simbólica e em bloco, uma série de pedidos de quebras de sigilo bancário e fiscal. O destaque foi o pedido do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ao pedir a quebra dos sigilos bancário e...

Toffoli na mira da PF sob suspeita de corrupção passiva no caso Master

Suspeitas levantadas pela Polícia Federal colocam o ministro do STF como sócio de um fundo do banco; oposição pressiona com pedidos de impeachment e novos desdobramentos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Depois da avalanche de denúncias na imprensa,...

Acadêmicos de Niterói é rebaixada após desfile em homenagem a Lula e caso repercute na imprensa internacional

Escola que levou à Sapucaí enredo exaltando o presidente enfrentou críticas, denúncias de propaganda eleitoral e ação anunciada por Flávio Bolsonaro; rebaixamento teve destaque na mídia estrangeira. A escola de samba Acadêmicos de Niterói foi rebaixada do...