Doença pouco conhecida causa perda de olfato, sinusites constantes e impacta a qualidade de vida. Otorrino explica como identificar os sinais e quando procurar ajuda.


Viver com o nariz entupido não deveria ser normal. Mas para quem sofre com a chamada polipose nasal, essa sensação é rotina. A condição, ainda pouco comentada fora dos consultórios médicos, é uma forma de sinusite crônica marcada pela formação de pólipos — lesões de aspecto gelatinoso que se desenvolvem na cavidade nasal e nos seios da face.

“A polipose nasal ocorre devido a uma inflamação crônica da mucosa dessa região. Quanto mais intensa for essa inflamação, maior o número e o tamanho dos pólipos”, explica o otorrinolaringologista Dr. Luiz Vicente Rizzo Castanheira, do Hospital Paulista, referência em doenças do ouvido, nariz e garganta.

O problema não está isolado. Segundo o especialista, a polipose costuma vir acompanhada de outras condições respiratórias, como rinite alérgica, asma e sinusites recorrentes. “O mecanismo de inflamação é parecido nessas doenças, por isso é comum que elas estejam associadas”, afirma. Também há ligação com algumas alergias medicamentosas, como ao AAS (ácido acetilsalicílico) e a certos anti-inflamatórios.

Sinais de alerta

Os sintomas da polipose nasal são fáceis de confundir com resfriados ou crises de rinite, mas costumam ser mais persistentes e intensos. “Obstrução nasal constante, perda de olfato e paladar, e infecções frequentes com uso repetido de antibióticos são os sinais mais típicos”, explica Dr. Castanheira.

Ele alerta que pessoas com fatores de risco — como histórico de asma ou alergias respiratórias — devem procurar um especialista assim que esses sintomas se tornarem frequentes. “O diagnóstico precoce é fundamental para evitar que a doença avance e o tratamento se torne mais complexo”, orienta.

Existe cura?

Apesar de não ter cura definitiva, a polipose nasal pode ser controlada. O tratamento depende da gravidade do quadro. Casos mais leves, com poucos pólipos, podem ser tratados com sprays nasais e acompanhamento médico. Já situações mais avançadas exigem cirurgia para remoção das lesões.

“Em quadros mais graves, o processo inflamatório é tão intenso que a cirurgia não basta. Nesses casos, pode ser necessário o uso de imunobiológicos, medicamentos modernos e específicos que atuam no tipo de inflamação que causa a polipose”, explica o médico. No entanto, ele ressalta que esse tipo de tratamento ainda é de difícil acesso, devido ao alto custo e à necessidade de uso contínuo.

O ideal, segundo o especialista, é que o acompanhamento seja feito não apenas com otorrinos, mas também com pneumologistas e alergologistas, especialmente quando há doenças crônicas associadas. “O tratamento multidisciplinar é o que oferece os melhores resultados no controle da doença”, conclui.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


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