Dados apontam que o descanso insuficiente altera a pressão intraocular e agrava sintomas de olho seco; Dr. Marcelo Souza Mello, do Hospital CEMA, alerta para os riscos na produtividade e longevidade cerebral.
O Brasil enfrenta uma crise silenciosa de fadiga. estudos indicam que cerca de 65% dos brasileiros têm qualidade de sono ruim, o que reflete diretamente na saúde pública. Pesquisas internacionais apontam que pessoas que dormem menos de 6 horas por noite têm uma probabilidade três vezes maior de desenvolver quadros de olho seco severo e fadiga ocular crônica. A relação entre a privação de sono e a saúde dos olhos vai além das olheiras: a falta de repouso adequado impede a regeneração dos tecidos oculares e pode acelerar doenças degenerativas.
Sensação de “areia” nos olhos
De acordo com o Dr. Marcelo Souza Mello, especialista do CEMA, hospital referência em oftalmologia e há 50 anos no Brasil, a “higiene do sono” é hoje um pilar inegociável para quem busca manter a mente ativa e a visão saudável. “E isso já não é mais para uma faixa etária avançada. Estamos falando de gerações cada vez mais cedo que vivem o reflexo da modernidade”, destaca o especialista.
A privação de descanso interrompe o ciclo de lubrificação natural dos olhos. Durante o sono profundo, o corpo realiza a manutenção da superfície ocular. Sem isso, o paciente apresenta quadros severos de olho seco, vermelhidão e a sensação de “areia” nos olhos ao acordar. Além disso, o estresse oxidativo causado pela falta de descanso pode elevar a pressão intraocular, um fator de risco crítico para quem já possui predisposição ao glaucoma.
Recorte de gênero e faixa etária
Público 40+ e 50+: Nesta fase, o cérebro exige uma maior “reserva cognitiva” para compensar o envelhecimento natural. A falta de sono nessa idade acelera o cansaço mental e a dificuldade de foco, refletindo diretamente na capacidade de leitura e na fadiga visual.
Mulheres sofrem mais: No recorte de gênero, a diferença é notável: mulheres têm 40% mais chances de sofrer com insônia do que homens, o que as coloca no grupo de risco principal para complicações inflamatórias na superfície ocular.
Descanso ativo
Para mitigar os danos causados pela privação de sono, o Dr. Marcelo Souza Mello recomenda a regra do “descanso ativo” para os olhos: a cada 20 minutos de uso de telas, olhe para um objeto a 6 metros de distância por 20 segundos. Além disso, manter a hidratação ocular com colírios lubrificantes prescritos e evitar o uso de smartphones pelo menos uma hora antes de deitar são passos essenciais para permitir a recuperação da retina.
O especialista ressalta que o acompanhamento médico é indispensável. “Não se deve tratar o cansaço visual apenas com paliativos. O atendimento especializado permite identificar se essa fadiga é apenas um reflexo de uma noite mal dormida ou se já existem danos estruturais, como o aumento da pressão intraocular, que precisam de intervenção imediata para evitar a perda da qualidade visual a longo prazo”, finaliza o Dr. Marcelo.
Destaque – Imagem: aloart / G.I.



