Quando pensamos em melhorar a qualidade do nosso sono, a primeira coisa que vem à mente é o conforto: um colchão de molas ensacadas, um travesseiro de plumas ou um edredom de algodão. No entanto, esses elementos nem sempre são suficientes para garantir o repouso de que o corpo e a mente precisam. Em muitos casos, o que está em jogo são distúrbios do sono, condições que vão além do simples desconforto e exigem diagnóstico adequado e tratamento especializado.

Por Dr. Lucas Padial*


Infelizmente, muitos desses distúrbios passam despercebidos ou são tratados de forma inadequada, o que pode levar a sérias consequências para a saúde. Estresse, fadiga e indisposição são apenas alguns dos sintomas mais imediatos. No entanto, estudos apontam uma correlação ainda mais preocupante entre distúrbios do sono e doenças como depressão, hipertensão e problemas cardíacos. A questão vai muito além de uma noite mal dormida.

Entre os distúrbios mais comuns estão a insônia e a apneia obstrutiva do sono. Embora ambos possam afetar a qualidade do descanso, eles possuem causas e tratamentos diferentes. A insônia, frequentemente associada à ansiedade, tem um componente neurológico e pode ser tratada com Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ou, em casos mais graves, com medicamentos.

Já a apneia do sono é uma condição respiratória que ocorre quando as vias aéreas são obstruídas durante o sono, muitas vezes devido à anatomia da garganta ou do palato. Para diagnosticar a apneia, é necessário realizar a polissonografia, um exame que avalia atividades cerebrais, respiratórias e musculares durante o sono. Com base nesse diagnóstico, o tratamento pode incluir o uso de CPAP (um aparelho que mantém as vias aéreas abertas) e fisioterapia respiratória.

Exercícios físicos contribuem para a qualidade do sono

Além dos tratamentos específicos, a prática regular de atividade física tem um impacto significativo na melhoria da qualidade do sono. Exercícios físicos reduzem o estresse, melhoram a força muscular e ajudam a controlar o peso, fatores que contribuem diretamente para um sono mais saudável. Estudos demonstram que pessoas que praticam atividades físicas regularmente têm menos dificuldades para adormecer e experimentam um sono mais profundo e reparador.

No Brasil, cerca de 72% da população sofre de distúrbios relacionados ao sono, com a insônia sendo a condição mais prevalente. Fatores como o sedentarismo, a alimentação inadequada e o uso excessivo de telas, principalmente à noite, têm sido apontados como os principais agravantes desses problemas. Por isso, é fundamental que as pessoas busquem ajuda profissional ao perceberem sintomas persistentes, para evitar que os distúrbios do sono se tornem crônicos e comprometam a saúde de forma irreversível.

O sono é essencial para o bom funcionamento do corpo e da mente, e cuidar da sua qualidade vai muito além de escolher o colchão certo. A identificação precoce de distúrbios do sono e o tratamento adequado podem prevenir problemas graves e melhorar significativamente a qualidade de vida. Se você tem dificuldades para dormir, não ignore os sinais do seu corpo – a consulta com um especialista pode ser o primeiro passo para uma noite de sono realmente reparadora.


*Dr. Lucas Vaz Padial é otorrinolaringologista especialista em Medicina do Sono com atuação no Hospital Paulista e na Clínica Jamal


Destaque – Foto: Hospital Paulista / Divulgação / +aloart


Publicação:
Sábado | 11 de janeiro de 2025.


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