Especialista em tendências tecnológicas diz que senso de comunidade dos brasileiros pode ser vantagem em um cenário global de automação e transformação do mercado de trabalho.
A futurista Amy Webb, uma das principais especialistas globais em tendências tecnológicas, afirmou que o Brasil pode desempenhar um papel importante no cenário internacional marcado pelo avanço da inteligência artificial e da automação. A avaliação foi feita durante participação na SP House, espaço do Governo de São Paulo no festival South by Southwest 2026, realizado em Austin.
A conversa aconteceu neste domingo (15) e reuniu lideranças do ecossistema de inovação. O debate foi mediado pelo advogado e pesquisador de tecnologia Ronaldo Lemos e contou com a participação de Thiago Camargo, vice-presidente executivo da InvestSP.
Conforme Webb, o modo como a sociedade brasileira se organiza pode representar uma vantagem em um futuro em que a automação tende a impactar profundamente o mercado de trabalho.
“Eu acredito profundamente que o Brasil vai ser importante nesse cenário”, afirmou a futurista.
Cultura e senso de comunidade podem ser diferencial
Há quase duas décadas, Amy Webb publica um relatório anual de tendências tecnológicas que se tornou referência para empresas, governos e investidores em todo o mundo.
Durante o encontro no South by Southwest, ela argumentou que sociedades altamente centradas na produtividade e no trabalho podem enfrentar maiores dificuldades com o avanço da automação.
Nos Estados Unidos, por exemplo, muitas pessoas se definem exclusivamente pela profissão. Quando esse vínculo é rompido, explicou, há uma sensação de perda de identidade.
Já no Brasil, segundo a futurista, a forte presença de relações comunitárias e redes sociais presenciais pode funcionar como um fator de proteção.

Há 19 anos, Amy Webb publica um relatório anual de tendências tecnológicas que se tornou referência global para empresas, governos e investidores. Foto: Governo SP
Decisões sobre IA podem ser irreversíveis
Webb também alertou que as escolhas feitas hoje em relação à inteligência artificial podem gerar efeitos acumulativos ao longo das próximas décadas.
Para ela, governos e instituições precisam agir rapidamente para acompanhar as mudanças tecnológicas.
A secretária-executiva da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Stephanie Costa, que acompanhou o debate, destacou a importância do alerta feito pela futurista. Segundo ela, Webb apontou que governos estão entre as instituições mais vulneráveis diante das transformações provocadas pela inteligência artificial.
“Isso é algo que precisamos observar com atenção. Temos que aprender a lidar com a IA e entender como nossa cultura também pode contribuir para o desenvolvimento do estado”, afirmou.
Stephanie também ressaltou a importância de acompanhar as tendências tecnológicas globais para que políticas públicas possam ser planejadas com antecedência.
Habilidades humanas continuam essenciais
Durante o debate, Webb destacou que, apesar da rápida evolução tecnológica, habilidades humanas continuarão sendo fundamentais.
A futurista citou o exemplo de sua filha de 15 anos, que cresceu cercada por tecnologia, mas evita redes sociais e considera ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT, “irritantes”.
Para Webb, qualidades como paciência, resiliência e capacidade de adaptação tendem a se tornar ainda mais valiosas em um mundo altamente automatizado.
“São valores humanos intrínsecos que estamos começando a entregar quando nos tornamos tão dependentes dessas tecnologias”, afirmou.
SP House conecta inovação e negócios no SXSW
A participação faz parte da programação da SP House, hub de inovação e negócios do Governo de São Paulo no South by Southwest.
Instalado na Congress Avenue, o espaço ocupa uma área de cerca de 2.200 metros quadrados e recebe painéis, reuniões institucionais, gravações de conteúdo e encontros entre empreendedores, investidores, executivos e pesquisadores.
Esta é a terceira participação da iniciativa no festival realizado em Austin, considerado um dos principais eventos globais de inovação, tecnologia e economia criativa.
Com o tema “We are borderless”, a edição de 2026 propõe discutir a circulação global de ideias, talentos e oportunidades em um ambiente cada vez mais conectado.
Destaque – Espaço da SP House na Congress Avenue, em Austin, que adotou o tema “We are borderless” (Nós não temos fronteiras). Foto: Governo de SP



