Levantamentos junto a lideranças de tecnologia mostra falta de profissionais qualificados em todos os níveis, especialmente sêniores, o que impacta inovação, adoção de IA e transformação digital nas empresas
A escassez de profissionais qualificados em tecnologia tem se tornado um dos principais entraves para a inovação nas empresas brasileiras. De acordo com a pesquisa inédita “CTO Insights 2025”, realizada pela Impulso com 110 lideranças de tecnologia, 79,3% dos CTOs (Chief Technology Officers ou Diretor de Tecnologia) afirmam ter dificuldades para contratar ou reter profissionais de TI, enquanto 50% das empresas relatam falta de talentos em todos os níveis hierárquicos.
O problema não se limita ao Brasil. Nos Estados Unidos, 73% dos empregadores enfrentam dificuldades para encontrar profissionais de tecnologia com as habilidades necessárias, segundo o relatório “Tech Talent Outlook Q2 2025”, da Experis. Além disso, 69% das organizações dizem ter obstáculos para preencher cargos em tempo integral, de acordo com dados da Society for Human Resource Management (SHRM).
Formação
No cenário brasileiro, a combinação entre demanda crescente por tecnologia e formação insuficiente de profissionais torna o desafio ainda mais crítico. Para 64,3% dos CTOs, recrutar e contratar profissionais qualificados é hoje o maior desafio nas empresas, superando temas como implementação de Inteligência Artificial (27,6%), cibersegurança (14,9%) e modernização de sistemas legados (29,9%).
A pesquisa aponta ainda que a escassez atinge principalmente profissionais mais experientes. Cerca de 50,6% das empresas enfrentam falta de talentos em todos os níveis de senioridade, enquanto 37,9% identificam a carência especialmente em profissionais sêniores. Posições plenas (19,5%) e juniores (6,9%) apresentam menor escassez, indicando que a experiência se tornou um recurso cada vez mais raro no setor.
A dificuldade para encontrar especialistas impacta diretamente a capacidade das empresas de executar projetos complexos e avançar na inovação. Embora 59,8% dos CTOs afirmem que equilibrar inovação e resultados de curto prazo seja um dos principais desafios, 65,5% das empresas destinam apenas até 20% do orçamento de TI para iniciativas inovadoras.
Contratações
Mesmo com a importância estratégica das pessoas para a área de tecnologia — 52,9% das empresas destinam entre 21% e 40% do orçamento de TI para capital humano — os processos de recrutamento ainda são majoritariamente tradicionais. Segundo o levantamento, 89,7% das empresas realizam contratações internamente por meio do RH, enquanto apenas 26,4% utilizam consultorias especializadas e 16,1% recorrem à terceirização ou parceiros.
Diante desse cenário, modelos de contratação mais flexíveis começam a ganhar espaço. A terceirização de tecnologia, por exemplo, é adotada gradualmente por 58,6% das empresas e utilizada por 20,7% para apoiar projetos temporários ou iniciativas de inovação. Entre os principais benefícios apontados estão a flexibilidade para ajustar o tamanho das equipes, o aumento rápido da capacidade operacional e a redução do tempo de contratação.
A escassez de talentos também impacta diretamente a adoção de tecnologias emergentes. Embora 56,3% das empresas já utilizem Inteligência Artificial e Machine Learning, 54% dos CTOs apontam a falta de profissionais qualificados como o principal obstáculo para implementar IA. Atualmente, apenas 33,3% das organizações possuem equipes avançadas em IA e ciência de dados, enquanto 27% contam apenas com conhecimento básico.
Destaque – Imagem: aloart / G. I. / AI image



