A amamentação é uma experiência única, mas que pode apresentar alguns desafios. Um dos mais frequentes é a mastite, uma inflamação mamária que pode afetar até 30% das mulheres durante a lactação.

Por Ana Silva Pedrosa*


Neste artigo, explicamos as causas, sintomas e, principalmente, como prevenir e tratar esta condição – para que possa amamentar com mais conforto e tranquilidade.

O que é a Mastite?
É uma inflamação do tecido mamário, que pode ou não estar associada a uma infecção bacteriana, e que provoca um desconforto significativo. É mais comum nos primeiros três meses após o parto, mas pode surgir em qualquer fase da amamentação.

Sintomas da Mastite
Os sintomas mais comuns incluem:
:: Dor;
:: Sensação de queimadura durante a amamentação;
:: Calor, edema e vermelhidão;
:: Secreção mamilar, que pode ser branca ou conter sangue;
:: Nódulos endurecidos;
:: Febre e mal-estar geral;
:: Aréola sensível;
:: Dificuldade em esvaziar a mama.

Quais são as causas mais comuns?
A mastite durante a lactação desenvolve-se frequentemente devido à estagnação e retenção do leite materno (ingurgitação mamária), que cria condições para a obstrução dos ductos mamários e posterior inflamação. Os principais fatores que impedem o fluxo adequado de leite incluem:
:: Produção excessiva de leite (hipergalactia), quando não acompanhada de extração adequada;
:: Esvaziamento incompleto da mama;
:: Mamadas muito espaçadas;
:: Falta de alternância entre as mamas;
:: Falta de alternância nas posições do bebê ao amamentar;
:: Uso de sutiãs apertados ou posições que comprimem a mama.

Além destes, outros fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da mastite são:
:: Fissuras nos mamilos, que facilitam a entrada de bactérias;
:: Cansaço extremo e stresse, que enfraquecem o sistema imunológico.
:: Certos comportamentos ou hábitos podem aumentar o risco de desenvolver mastite, como o tabagismo ou a ausência de uma alimentação equilibrada.

Como prevenir a Mastite?
A prevenção eficaz da mastite consiste em práticas adequadas de amamentação e atenção precoce aos sinais de alerta.

1 :: Esvaziar bem as mamas
Certifique-se de que o bebê esvazia completamente as mamas. Se necessário, extraia manualmente o restante leite para evitar acumulações.
2 :: Amamentar com frequência
Evite longos intervalos entre mamadas. O aleitamento regular ajuda a manter um fluxo de leite constante, prevenindo a obstrução dos canais.
3 :: Alterne entre as mamas
Alternar as mamas a cada mamada ajuda a esvaziá-las de forma equilibrada, evitando o acumular de leite e garantindo um esvaziamento uniforme.
4 :: Evitar roupa apertada
Opte por sutiãs de amamentação específicos, sem aros metálicos e com tecidos respiráveis.
5 :: Manter higiene adequada
Lave os mamilos apenas com água, evitando sabonetes ou loções que possam irritar a pele. Mantenha a zona limpa e seca, e deixe o peito arejar após a amamentação.

Como tratar?
Se surgirem sinais de mastite, é fundamental agir rapidamente para reduzir a inflamação, aliviar a dor e evitar o desenvolvimento de uma infeção.
:: Continuar a amamentar
Apesar do desconforto, não interrompa a amamentação — esta ajuda a desobstruir os ductos mamários e a reduzir a congestão. Comece pela mama afetada e, se necessário, esvazie o leite residual manualmente ou com a ajuda de uma bomba.
:: Massagear a área afetada
Massageie suavemente a zona afetada antes e durante a amamentação, desde a área inflamada em direção ao mamilo. Evite apertar ou aplicar demasiada pressão.
:: Tomar banho ou uma ducha morna
Um banho ou ducha com água morna pode ajudar a melhorar o fluxo de leite. Se tiver dificuldade em esvaziar a mama, também pode aplicar um pano húmido e morno sobre a zona, antes da amamentação.
:: Repouso e hidratação
Descanse e mantenha-se bem hidratada. Se possível, peça ajuda noutras tarefas para se focar na recuperação.
:: Compressas frias para a dor
Entre as mamadas, aplique compressas frias na área afetada para diminuir a dor e o edema. Mantenha-se deitada de costas durante a aplicação.
:: Analgésicos e anti-inflamatórios
Paracetamol ou Ibuprofeno, quando recomendados por um médico, podem ajudar a controlar a dor e a febre.
:: Antibióticos
Se os sintomas persistirem por mais de 24 a 48 horas ou se surgirem sinais de infeção, como febre alta e pus, pode ser necessário tratamento com antibióticos.

Quando procurar ajuda médica?
:: Febre alta e persistente;
:: Agravamento dos sintomas após 24-48 horas;
:: Secreção purulenta (pus) ou líquido anormal pelo mamilo;
:: Dificuldade em amamentar devido à dor intensa;
:: Sinais de abcesso (edema duro, doloroso e com flutuação).


Colaborou neste artigo, a enfermeira Ana Silva Pedrosa, do Lusíadas Saúde. Lisboa, Portugal.


Destaque – Imagem: aloart / G I


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