Estudo encomendado pelo Instituto Natura e pela Avon mostra que 4 em cada 10 mulheres não adotam práticas que contribuem com a redução de risco de câncer de mama e 95% não conhecem a Lei dos 30 Dias, que garante que uma pessoa com suspeita de câncer tem o direito de realizar os exames que confirmem o diagnóstico neste prazo máximo.


A edição 2025 do Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama, estudo encomendado pelo Instituto Natura e pela Avon para medir o conhecimento das mulheres brasileiras sobre os cuidados com a saúde das mamas, mostra que somente 29% – a maioria delas com mais de 40 anos – possuem informações suficientes sobre o tema para conseguir navegar pela jornada de cuidado das mamas, seja para redução de riscos, diagnóstico ou tratamento da doença. O número considera quem demonstrou conhecimento “muito alto” ou “alto” sobre fatores de risco, exames, sintomas e legislação sobre a doença.

O dado expõe a necessidade de ampliar o acesso a informações claras e precisas sobre o cuidado com as mamas, objetivo do Movimento de Conscientização Pelo Cuidado das Mamas. O Índice de Conscientização é uma das estratégias do movimento e conta com a parceria, além de Instituto Natura e Avon, da RD Saúde (grupo das farmácias Raia e Drogasil), do Instituto Oncoguia e da Rede Feminina de Combate ao Câncer. A doença é o tipo de câncer mais frequente e o que mais mata mulheres em todo o Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Além disso, segundo dados do Panorama do câncer de mama, também desenvolvido pelo Instituto Natura, tem apresentado maior incidência em mulheres abaixo dos 40 anos de idade nos últimos anos.

Faixa de rastreio precisa ser aumentada no SUS

No detalhe, o Índice de Conscientização mostra que 4 em cada 10 mulheres não adotam práticas para redução dos riscos de desenvolvimento do câncer de mama, 37% só conhecem o nódulo na mama como indicativo da doença, 21% acreditam que o autoexame das mamas é o principal método para identificar a suspeita da doença – e não a mamografia, como indicam as entidades médicas – e 95% não sabem o que é a Lei dos 30 Dias, que garante acesso ao resultado em caso de suspeita neste prazo máximo.

Além disso, cerca de 86% das entrevistadas não sabiam que é possível fazer o exame de mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estando fora da idade recomendada pelo Ministério da Saúde caso tenham orientação médica por risco aumentado ou apresentem sintomas. “Isso acende um alerta importante, porque a incidência de câncer de mama entre mais jovens tem aumentado. Essas informações precisam chegar à população e a faixa etária de rastreio precisa ser ampliada no SUS, acompanhando as mudanças na incidência”, diz Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil.

Desigualdades aos níveis de informações

Mulheres negras têm menos informação sobre a doença e as entrevistadas relatam que acesso a consultas e exames ainda é desafio em cidades de pequeno a médio porte.

O Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama também revelou que há desigualdade étnico-racial, socioeconômica e local em relação ao nível de informação sobre a doença e ao acesso ao diagnóstico precoce. Mulheres que se declaram pardas ou pretas têm níveis “alto” ou “muito alto” de conscientização de 28%, enquanto entre brancas este número chega a 34% – a média total é de 29%.

“O Índice deixa claro o quanto ainda precisamos avançar em informação, acesso e direitos. O câncer de mama continua sendo o que mais mata mulheres no Brasil, mas muitas ainda não sabem que têm direito a exames no SUS, nem como identificar sinais de alerta. No Oncoguia, acreditamos que informação salva vidas e seguimos trabalhando para que toda mulher tenha condições de cuidar da sua saúde com dignidade”, ressalta Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia.

Política públicas

Entre as mulheres que utilizam o SUS, somente 1 em cada 10 sabe dizer a idade certa para começar a fazer mamografia quando não se tem histórico familiar ou sintoma e 64% fazem acompanhamento anual com ginecologista. Já entre as que têm convênio de saúde, a taxa é de 4 em cada 10 que sabem dizer a idade certa para mamografia e 78% vão anualmente ao médico. A pesquisa foi realizada quando a idade para início do rastreio regular sem sintomas no SUS ainda era de 50 anos – no último mês de setembro, foi atualizada para a partir dos 40 anos.

Nas cidades de pequeno e médio porte, 37% das mulheres disseram que têm dificuldade de fazer suas consultas de rotina, enquanto nas metrópoles ou cidades de grande porte este número é de 27%. “Isso nos mostra que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para garantir acesso equitativo a todas as mulheres. E é para isso que trabalhamos diariamente”, diz Mariana Lorencinho, líder de Políticas Públicas de Saúde das Mulheres no Instituto Natura.

Outros dados relevantes

● 68% não sabem que o fator genético hereditário é um possível risco de desenvolvimento do câncer de mama;

● 79% das entrevistadas desconhecem que há uma etapa seguinte à mamografia (a biópsia) para que o diagnóstico de câncer de mama seja confirmado.

Metodologia

O estudo do Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama foi realizado pela Somatório Inteligência, a pedido do Instituto Natura e da Avon – que há mais de 22 anos atua com iniciativa em prol da saúde e direito das mulheres –, e ouviu 2.662 mulheres acima de 18 anos em todas as regiões do país, com controle de cotas por faixa etária, classe econômica (há subparticipação das classes D e E e por não aceitação em participar da pesquisa, na maioria dos casos por falta de confiança em falar do assunto), unidades federativas e porte dos municípios de residência.

O erro amostral da pesquisa é de 1.9%, com um nível de confiança de 95%. As regiões com maior número de participantes são a Sudeste (43%), Nordeste (26%) e Sul (15%). Norte e Centro-Oeste correspondem a 8% cada uma do total de mulheres ouvidas. As entrevistas aconteceram entre 6 de julho e 10 de agosto deste ano, metade delas presencialmente e metade por telefone.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


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