As festividades de São João no Brasil possuem uma história bem interessante. Vamos explorar um pouco esse tema tão alegre e colorido.


Para os católicos, as comemorações tiveram início no século VI, quando o Vaticano instituiu o dia 24 de junho para a comemoração do nascimento de São João Batista. Tradicionalmente, em 12 de junho, Dia dos Namorados e véspera do dia de Santo Antônio – o santo casamenteiro –, as Festas Juninas têm início em todo o Brasil. O encerramento das festividades acontece geralmente em 29 de junho, dia de São Pedro; antes disso, comemora-se a Festa de São João, como também são popularmente conhecidas as Festas Juninas.

Catolicismo

A criação do dia de São João pelo catolicismo simboliza a visita de Maria, já grávida do Menino Jesus, à casa de Zacarias e Isabel – que viria a ser chamada de Santa Isabel –, mãe de João Batista. “Por isso, a Igreja festeja no dia 24, o seu nascimento, ao contrário de todos os outros santos, dos quais ela só comemora a morte, ou seja, seu nascimento para o Céu. Desde criança, retirou-se para o deserto para fazer penitência e se preparar para sua futura missão. Ministrava ao povo o batismo de penitência, ao qual Jesus também acorreu, por humildade,” explicou em seu artigo no Vatican News, Dom Fernando Arêas Rifan, da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

Festas Juninas no Brasil

A chegada dessas comemorações no país começou com a colonização e popularizou-se entre escravos e indígenas. “Quem trouxe a festa junina para o Brasil foram os portugueses, no período colonial. Em Portugal, a festa junina tinha o nome de Festa Joanina – possivelmente pelo fato de acontecer em junho ou talvez por causa de São João, que é o principal santo da comemoração – motivo pelo qual as festas juninas também são chamadas de Festa de São João,” explica a professora licenciada em Letras, Márcia Fernandes, da Universidade Católica de Santos, em seu artigo no Todamateria.

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Cada região tem um tipo de comemoração

A dispersão cultural entre colonos, serviçais e a própria igreja – com ênfase aos jesuítas que foram os primeiros a conviver com os nativos e escravos – desenvolveu o folclore em formatos diversos para cada uma das regiões brasileiras onde as festividades são realizadas. A população nordestina se destaca pela paixão com que comemora as festas juninas. “A partir de 1930, quando o nacionalismo de Vargas estimulou a busca de uma identidade cultural brasileira, a vida rural foi revalorizada.” A explicação é do antropólogo Renato da Silva Queiroz, da USP, na Superintessante, ao referir-se às quadrilhas, danças típicas que se originam na aristocracia europeia.

Danças regionais

De sanfoneiros nordestinos a músicas country norte-americanas, as festas juninas receberam ritmos variados ao longo do tempo. Mas um detalhe seria primordial para o estilo que chegou ao Brasil com a família real portuguesa. “Junto com os 15 mil aristocratas que desembarcaram no Rio, em 1808, veio a contradança (originada nas country-dances, bailes camponeses da Normandia e da Inglaterra) que animava as festas da realeza. Era uma dança de casais que trocavam de pares. Não demorou muito, as contradanças saíram dos salões nobres para as festas populares,” nos ensina a revista Superinteressante. Essa dança era comum em casamentos, batizados, festas da padroeira e festas juninas, dentre outras. A partir do final do século XIX, surgiram outros ritmos, tais como: a polca, o maxixe, o lundu e as danças de quadrilhas, que permaneceram mais enraizadas nas zonas rurais.


Destaque – Imagem: aloart / G.I.

 


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