Estamos divulgando outro levantamento que diz respeito a ação de vigias noturnos motorizados que agem impunemente nos bairros da cidade de São Paulo. As ações desrespeitosas contra as leis vigentes também ocorrem em outras capitais.

Em particular, a ação perniciosa de acionar sirenes com 120 decibéis a cada intervalo que pode variar entre 30, 40 ou 50 minutos aproximadamente, é uma afronta a todo o arcabouço jurídico que rege a paz e o silêncio noturnos, mas até agora isso é amplamente ignorado pelas autoridades. Imaginamos que possa ter algo a ver com a segurança, mas segundo fontes policiais e privadas desse setor, acionar sirenes não é garantia de segurança.

No entanto, a cada dia, mais pessoas percebem a inocuidade desse serviço e que uma câmera ou adesão ao Programa Vizinhança Solidária da Polícia Militar (leia aqui) é muito mais seguro, compensador e eficiente.

Várias leis são infringidas (leia aqui) diariamente, mencionadas em Laudo Pericial (leia aqui) realizado em locais onde os vigias acionam sirenes. Devido a essas atitudes antissociais desses vigias, vários boletins de ocorrência são feitos. Mencionamos as citações de vítima que o processou e chegou a apelar duas vezes sem sucesso (leia aqui).

Concluímos que a lei não existe para todos e nem respeita igualdade, pelo menos no que diz respeito a essa atividade, fato que a diferencia de todas as demais atividades e cidadãos, como estamos vendo.

Leis de Trânsito

É importante registrar que nossa reportagem já flagrou o uso da contramão pelos vigias na movimentada Rua Henrique Dumont, Vila Gomes Cardim, em São Paulo, colocando em risco a vida e a integridade de outros motoristas. Registrados em vídeo, os links foram enviados pela vítima à Promotoria Criminal do Tatuapé, mas isso também não surtiu efeito. Os fatos continuam ocorrendo diariamente.

A vítima registrou no Boletim de Ocorrência do dia 5 de agosto de 2022, que desejava constar o desrespeito “às leis que estão sendo infringidas: artigo 3º, Parágrafo 1º da Lei Estadual (SP) 11275/02; artigos 227, 228, 229 do Código de Trânsito Brasileiro; artigo 3º da Lei Federal 6938/81; artigo 42 do decreto-lei 3688/741, e a Lei-11275-02. § 4.º” (leia aqui).

Mesmo diante de todo esse arcabouço jurídico, leis que são infringidas diariamente pelos vigias noturnos, a Promotora de Justiça, Elisa Vodopives, preferiu não levar a julgamento os réus, arquivando por duas vezes o processo.

Coube ao Procurador-Geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, argumentar, conforme consta no processo, que a vítima não tem legitimidade para contestar a decisão: “Isto porque o bem jurídico tutelado pela contravenção penal investigada é a paz pública e o sujeito passivo é a coletividade, de modo que o interessado não possui legitimidade para recorrer do arquivamento”, afirmou em seu julgamento o procurador.

O que podemos concluir

Desse modo, segundo as interpretações dos letrados juristas, dos quais não nos cabe duvidar de sua sapiência jurídica, devemos entender que o comprovado acionamento de sirenes durante a noite e madrugada, que é do conhecimento das autoridades municipais e estaduais, civis e militares, não atinge a coletividade e nem a paz pública. Apesar das centenas de reclamações que constam na mídia e nas redes sociais (leia aqui).

Esses dados foram enviados à Promotoria Criminal do Tatuapé, onde há centenas de manifestações que repudiam esse tipo de trabalho através de sirenes durante a noite e madrugada.

Cabe ainda entendermos se as manifestações populares na mídia e nas redes sociais, podem ser consideradas antagônicas às manifestações da Promotora de Justiça e do Procurador-Geral de Justiça.

Afinal, se existem as leis que são claras (leia aqui), se centenas de pessoas reclamam na internet, se o tema é midiático, isso não reflete os anseios da coletividade?

A realidade é que a coletividade deseja segurança e justiça, mas isso não se faz com sirenes de 120 decibéis.


Leia todas as reportagens e as leis que citamos neste artigo.


Destaque – Imagem: aloart / G I


Leia outras matérias desta editoria

“Coisas estranhas acontecem”: Moradores do Tatuapé denunciam vigia e omissão do 30º DP

Os responsáveis não esclarecem sobre as reclamações de que vigia atua na ilegalidade com placas que sugerem parceria com a polícia, enquanto crimes continuam ocorrendo. A sensação de insegurança que assola a Chácara Santo Antônio e a Vila Gomes Cardim, na...

Tatuapé e outros bairros vivem ‘indústria da insegurança’: sirenes noturnas, cobranças irregulares e crimes em série revoltam moradores

Moradores do Tatuapé, Vila Gomes Cardim e Chácara Santo Antônio denunciam um cenário alarmante: enquanto crimes como furtos e invasões continuam acontecendo, vigias noturnos utilizam sirenes de alta intensidade durante toda a madrugada e cobram para fazer...

Vigias noturnos informais com sirenes irregulares levantam debate sobre segurança e perturbação do sossego no Tatuapé

Atuação em São Paulo e no Tatuapé levanta questionamentos legais, uso irregular de sirenes e riscos à população. O uso de sirenes está cada vez mais irritante em uma cidade onde o que menos falta é barulho. Imaginar que, durante as noites e madrugadas,...

Processo sobre vigias noturnos levanta controvérsia na interpretação da lei e análise de provas em São Paulo

Caso envolvendo vigias noturnos em São Paulo expõe debate jurídico sobre perturbação do sossego, análise de provas e aplicação da legislação. Apesar da demora na tramitação do inquérito, que teve início em dezembro de 2022 e só foi concluído no dia 27 de...

Moradores do Tatuapé pagam ‘pedágio’ a vigia noturno para entrar e sair de casa: insegurança

Moradores da Chácara Santo Antônio, subdistrito do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, reportam a cobrança de valores mensais para um suposto serviço de vigilância noturna que, segundo relatos, funciona como uma espécie de ‘pedágio’ para que possam sair e...

Poluição sonora de vigias motorizados usando sirenes chega a moradores de outros países, vídeo

Tolerados por autoridades paulistas que não coíbem a prática proibida, nas delegacias ainda fazem pouco caso das reclamações de moradores. Ações para diminuir a poluição sonora estão em progresso no mundo, diferente da tolerância em São Paulo. Vídeo...

Decreto recente do Governo esclarece as funções da PM e da Polícia Civil em São Paulo

O Estado tem o dever constitucional de proteger seus cidadãos e não delegar a vigias que perturbam a paz e o sossego, priorizando-os com isenções perante a lei, nunca fornecidas a quaisquer outros cidadãos. No caso do uso de sirenes por vigias noturnos, a...