Na entrada da unidade mogiana do Sesc, um mural gigante de autoria do pintor e muralista Cazé, já instiga a curiosidade dos frequentadores e passantes. É que a partir de 19 de junho, o projeto inédito em Mogi das Cruzes e Alto Tietê vai celebrar o legado da multiartista e violeira que marcou a música brasileira com canções e hits únicos que inclusive ajudaram a valorizar a moda de viola e a cultura caipira.


O interior de alguns estados brasileiros, como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, abriga os chamados territórios caipiras — comunidades tradicionais que fundamentam seus modos de vida em saberes empíricos. Cidades do entorno imediato da capital paulista, como Mogi das Cruzes, Salesópolis e Biritiba-Mirim, tiveram suas bases de formação marcadas pela presença dessas populações, que, atravessadas pelo desenvolvimento urbano e tecnológico passaram por transformações significativas.

A identidade caipira, no entanto, resiste, manifestada por um repertório de práticas culturais e artísticas profundamente ligadas à vida cotidiana, ao campo e às festas religiosas. Desde a culinária, expressa por ícones como o fogão à lenha, o bolo de fubá, a pamonha na folha de caetê, a paçoca, o pinhão e o café coado no pano e servido na caneca de ágata, até a música, caracterizada pela viola e pelas cantorias que narram a lida com a natureza e os afetos que perpassam as histórias do povo. Nesse sentido, registrar e difundir as obras de artistas e mestres da tradição tem sido fundamental para a permanência de tais temas no imaginário popular.

Programação diversificada e marcada pela Música

O ano de 2025 marca o centenário de uma figura emblemática dentro desse universo: Inezita Barroso. Cantora, instrumentista, pesquisadora, apresentadora, arranjadora e atriz, ela desempenhou um papel essencial na visibilidade da música de raiz e de seus compositores, e trilhou caminhos que serviriam também a outras mulheres dentro do gênero sertanejo. O projeto Inezita Barroso – 100 anos de viola e pioneirismo homenageia sua trajetória multifacetada, marcada por quatro décadas à frente do programa Viola, Minha Viola, onde seu trabalho se tornou um elo entre memória e renovação, cultivando tradições e abrindo espaço para novas gerações de talentos.

Ao celebrar essa história, o Sesc reafirma seu compromisso com a valorização do patrimônio cultural, promovendo ações que registram, preservam e compartilham saberes, narrativas e expressões artísticas de diferentes grupos. Honrar Inezita é manter vivas as referências e descobertas sobre um Brasil profundo e diverso, da música da terra, garantindo que seu impacto siga ressoando no tempo e atravessando fronteiras.

 

Renato Teixeira é um dos cantores convidados pelo Sesc Mogi das Cruzes. Foto: Sesc Mogi / Divulgação

 

Renato Teixeira é um dos cantores convidados pelo Sesc Mogi das Cruzes para também celebrar o centenário de Inezita Barroso. Seu show no dia 28/6 (ingressos à venda a partir de 03/6), é antecipado por outras cinco apresentações musicais, entre elas a do violeiro Paulo Freire, na abertura desse projeto (19/6) que não é apenas um reconhecimento de seu legado artístico, mas também um tributo a moda de viola e à cultura caipira.

Inezita Barroso

Ignez Magdalena Aranha de Lima, nossa Inezita, que nasceu em 4 de março de 1925, já demonstrava talento musical desde a infância, aprendeu violão aos sete anos e posteriormente piano e viola. A moça que estava destinada ao casamento com de costume, já estava decidida a não deixar seu potencial artístico.

Na década de 1950, deu início à sua carreira e definitivamente nunca mais parou. Foi cantora de rádio e atriz de cinema com diversas premiações. Inezita Barroso lançou, em mais de seis décadas, cerca de 100 discos. Durante 35 anos esteve à frente do programa “Viola, Minha Viola”, transmitido pela TV Cultura, espaço marcado pelo sertanejo raiz e a apresentação de novos artistas, muitas vezes marginalizados pela indústria musical.

Além disso, ela foi professora universitária, lecionou sobre o folclore brasileiro e contribuiu significativamente para a valorização da cultura popular. Com seu sorriso, espontaneidade e ineditismo, Inezita quebrava as convenções sociais. Sua filha, Marta Barroso, destacou que Inezita sempre foi “fora da casinha”, realizando atividades que não eram consideradas convencionais para sua época.

“Pintar a Inezita é também dar visibilidade a história caipira como protagonista da memória de um Brasil que existe.” A declaração é de Cazé que criou o Mural Urbano – 100 anos de Inezita Barroso na entrada da unidade. Usando tinta acrílica e pincéis sintéticos para modelar seu acabamento realista, o artista Cazé trabalhou cerca de 03 dias, na parede externa da loja Sesc. O resultado pode ser conferido por todos os públicos que vierem apreciar o projeto e por quem estiver de passagem ou passeio pelo Sesc Mogi das Cruzes. Sempre nos horários da Unidade. Grátis!

Serviço

Inezita Barroso — 100 anos de viola e pioneirismo

Conheça esta programação especial que reúne shows, teatro, vivências, instalações, oficinas, culinária e um passeio. Tudo Inspirado na Vida e Obra da artista.
Acesse: Sesc Mogi das Cruzes

Sesc Mogi das Cruzes
Rua Rogério Tacola, 118 – Socorro – Mogi das Cruzes – SP
Horário de Funcionamento:
Terça a Sexta, das 13h às 21h30
Sábados, Domingos e Feriados, das 09h às 17h30
Redes Sociais: @sescmogidascruzes


Destaque – Sesc Mogi das Cruzes. Arte: Cazé. Foto: Paulo Dias


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