Em entrevista ao Jornal da Oeste, Primeira Edição, desta terça-feira (6), Ani Campos, ex-empresária venezuelana que vive no Brasil há 10 anos, comentou a situação na Venezuela e conta que a fome marcou sua vida. “As pessoas que criticam os Estados Unidos precisam pesquisar melhor”, disse.


A entrevista foi conduzida pela jornalista Berenice Leite e trouxe luz sobre muitos aspectos que são ignorados; dois deles caminham lado a lado: a pobreza e a fome. Mas o que fica claro em uma ditadura, o fato para que ela se materialize, é o uso da força e o cerceamento da liberdade.

Esses fatos também acontecem no Brasil, letárgica e continuamente. Porém, pouco a pouco se materializam, proporcionalmente em tamanho e intenção quanto às dimensões estruturais dos dois países. A começar pelo apoio de jornalistas e emissora que tendem a defender um tirano que praticou crimes hediondos, como os de Nicolás Maduro. Terminando com um presidente da República que ergue a voz para condenar a ação que o levará a um julgamento.

Povo comemora calado

Ela disse que os venezuelanos pedem intervenção americana há mais de 15 anos. “Nós estamos muito agradecidos aos Estados Unidos”. Eu tenho certeza de que mais de 20 milhões de venezuelanos pedimos a liberdade para o nosso país no dia 31 de dezembro. Aquele homem destruiu pais, mães, famílias”, revela a ex-empresária venezuelana que mora no Brasil há 10 anos.

Segundo Ani Campos, o povo vive sob a mordaça desde 2003, com Hugo Chaves. “Não se pode falar de nada nas ruas”, disse sobre as explosões registradas em Caracas nas últimas horas, atribuídas erroneamente aos americanos, mas que na verdade foram feitas pelos apoiadores de Maduro contra manifestantes. “A única mensagem que eu recebo é para ter calma.”

Segundo ela, um dos fatores que levam os militares a apoiar o regime chavista são os altos salários dos militares que apoiam a ditadura. Por outro lado, a população não encontra comida nem para comprar. Sobre Delci Rodrigues, vice-presidente que assumiu a presidência no lugar de Nicolás Maduro, Ani Campos revela que ela segue a mesma linha.

“Ela iniciou com Hugo Chaves”, disse. Segundo a entrevistada, o secretário de Estado Marco Rubio pretende saber se o povo venezuelano quer novas eleições não incluindo Delcy Rodrigues, mas feitas com novas pessoas.

Fome dói

“Jamais o povo venezuelano vai querer novamente o comunismo, socialismo ou alguém que venha com essa fala”. Ani diz que, ao dormir, não sabia se comeria no dia seguinte e nem o que faria para alimentar sua família. “Eu tinha que dar água com açúcar para o meu filho, para não dar comida podre, dar pombo para ele comer.”

“As pessoas dizem que vamos ficar no quintal dos EUA. Que seja porque é liberdade. Se os EUA querem colonizar a Venezuela, a gente aceita porque somente nós é que sabemos a fome que vivemos. A fome dói. O povo brasileiro nunca conheceu o que é a fome de verdade”.

A letargia ou a morosidade com que se tenta aplicar um regime ditatorial só não acontece de uma vez no Brasil devido à solidez das instituições que acabam formando barreiras. Mas, aos poucos, é possível perceber o cerceamento da liberdade, com atos inconstitucionais, supressão de direitos humanos, inúmeras tentativas de calar a imprensa e parlamentares.

A entrevista de Ani Campos é um exercício de reflexão sobre o que desejamos para o futuro do Brasil.

Assista a entrevista completa


Destaque – Amigos: com a prisão de Maduro, oposição se prepara para o ataque político nas eleições deste ano. Será que ainda precisa? Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


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