Teste Sentar e Levantar, que usa apenas cronômetro e cadeira, se mostra tão eficaz quanto bateria completa para mensurar prejuízo funcional em até oito anos.

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP


Quantos segundos você leva para se levantar cinco vezes de uma cadeira? Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a University College London, do Reino Unido, mostrou que esse teste simples pode prever a perda de funcionalidade de pessoas idosas antes que surjam limitações em atividades cotidianas, como se vestir, tomar banho ou sair de casa.

A pesquisa acompanhou mais de 2,3 mil participantes do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), o estudo longitudinal de saúde da Inglaterra, por oito anos. Os cientistas compararam uma bateria de três exames conhecida como Short Physical Performance Battery (SPPB) — composta por testes de equilíbrio, velocidade de caminhada e força — com o Teste Sentar e Levantar (CST, na sigla em inglês para Chair Stand Test), que integra a SPPB.

A análise, que contou com o apoio da FAPESP, mostrou que idosos que levaram mais de 11,5 segundos para completar o CST apresentaram maior risco de perder a independência em tarefas do dia a dia.

“O teste mais simples e rápido foi tão eficaz quanto a bateria completa para prever quem apresentaria incapacidade em realizar atividades básicas — tomar banho ou ir ao banheiro sozinho — ou instrumentais da vida diária, como cozinhar, pagar contas e usar transporte público”, afirma Roberta de Oliveira Máximo, pesquisadora da UFSCar e autora do estudo publicado no Journal of the American Medical Directors Association.

A análise refinou a predição para pessoas idosas altamente funcionais, aqueles sem lentidão ou incapacidades prévias. Com base nos dados, os cientistas recomendam critérios mais rigorosos, sugerindo a redução do tempo de corte do CST de 15 para 11,5 segundos e a pontuação da SPPB de 12 para 10. “Ao aumentar a exigência, ampliamos a sensibilidade da triagem, o que permite intervenções precoces para evitar a perda de independência”, explica Máximo.

Teste de sentar e levantar

O teste sentar e levantar já é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como ferramenta de triagem. “Nosso estudo reforça que o teste, mesmo aplicado isoladamente, é suficiente para indicar risco de perda funcional. Idosos que o realizaram em mais de 11,5 segundos apresentaram maior probabilidade de desenvolver limitações ao longo dos oito anos seguintes”, diz a pesquisadora.

Apesar de simples, o teste consegue avaliar vários aspectos importantes para a funcionalidade. “Embora pareça um teste meramente de performance, ele avalia força e massa muscular dos membros inferiores, equilíbrio, condicionamento cardiorrespiratório e coordenação. São capacidades que, quando começam a falhar, antecedem a perda de independência”, afirma Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar e coordenador do consórcio InterCoLAgeing, que reúne estudos longitudinais do Reino Unido, México e Brasil.

Os pesquisadores explicam que o envelhecimento segue uma escada do declínio funcional. Primeiro se perdem atividades avançadas (participar de atividades de trabalho, lazer ou culturais), depois as instrumentais (cozinhar, fazer compras, tomar remédio na hora certa, usar o telefone, gerenciar o próprio dinheiro, usar transporte público e cuidar da limpeza da casa) e, por fim, as básicas (tomar banho, se vestir, se alimentar sozinho, ir ao banheiro, caminhar pela casa e manter a continência). “Nem todo idoso passará por esse processo, temos casos de pessoas centenárias altamente funcionais, mas quando ocorre o declínio funcional, ele segue esse roteiro”, completa Alexandre.

Os pesquisadores defendem que o teste sentar e levantar, aplicado a partir dos 60 anos, pode funcionar como alerta precoce, permitindo intervenções com exercícios, fisioterapia e mudanças no estilo de vida. “Em contextos com tempo limitado de consulta, esse teste pode ser a porta de entrada para avaliações mais detalhadas. Ele ajuda a identificar idosos saudáveis com risco de perda funcional, facilitando estratégias preventivas”, conclui Máximo.


Destaque – Estudo acompanhou mais de 2,3 mil idosos por oito anos; pesquisadores defendem que teste, aplicado a partir dos 60 anos, pode funcionar como alerta, permitindo intervenções com fisioterapia e mudanças no estilo de vida.


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