Fabiana Koch


No mundo dos negócios, a sensação é de que quanto mais ocupado, mais produtivo ou bem-sucedido se é. Com isso, muitos líderes se veem com agendas lotadas de reuniões, tendo que tomar decisões constantemente e com metas que tiram o sono à noite. É como se desacelerar significasse perder espaço. Muitos só entendem que o corpo e a mente cobram a conta quando já passaram do limite, e por aqui não foi diferente. Sempre levei uma vida considerada saudável, ainda assim, em 2024, recebi o diagnóstico de depressão associada ao burnout.

Para muitos, isso não faria sentido, já que o negócio que toco há 17 anos ao lado de meu marido tinha tido o melhor ano da história, com faturamento recorde, projetos relevantes e viagens profissionais.

É um equívoco comum pensar que a depressão nasce apenas de grandes traumas ou fracassos. Na prática, entendi que o sucesso também traz seus desafios, e quando se faz o que se ama, é muito provável que se trabalhe além do que seria o ideal, o que faz com que a vida se transforme em uma sequência interminável de responsabilidades, sem pausas reais para recuperação emocional.

Empresários e líderes costumam ser especialistas em cuidar do negócio, da equipe, dos clientes e da estratégia, mas frequentemente negligenciam a própria gestão interna. O burnout não aparece de um dia para o outro, ele se constrói na rotina, quando acumulamos funções, exigimos sempre mais de nós mesmos, não delegamos e não desligamos do trabalho.

Com o diagnóstico, entendemos que continuar no mesmo ritmo não era mais sustentável. Foi então que reorganizamos nossa vida e nosso trabalho para criar espaço para recuperação, afinal, planejamento pessoal e profissional precisam caminhar juntos. Caso contrário, o sucesso externo pode custar caro demais internamente.

Hoje, simplificamos a vida, priorizamos qualidade sobre excesso e estruturamos nosso trabalho para um modelo mais inteligente, utilizando a tecnologia para alcançar cada vez mais pessoas e manter mais liberdade na agenda através do atendimento on-line. Lançamos um novo programa de mentoria que propõe uma liderança consciente a partir do autoconhecimento e continuamos ajudando líderes a crescer sua carreira com estratégia, mas sem ignorar o fator humano que sustenta qualquer resultado.

Nenhum negócio vale o colapso de quem o lidera. Não espere um diagnóstico para revisar sua vida, porque quando você não para por consciência, o corpo, a mente ou as circunstâncias acabam impondo essa parada, e quase sempre de forma mais dolorosa do que seria necessário. O verdadeiro sucesso não está apenas em crescer, e sim em conseguir sustentar esse crescimento sem perder a própria saúde e o sentido da jornada. No fim das contas, liderar bem começa por liderar a si mesmo.


Fabiana Koch – Palestrante e mentora de carreiras e de líderes.


Destaque – Imagem: aloart / G.I.


Leia outras matérias desta editoria

A luta no gel do STF

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, lutando por um país...

A grande crise brasileira

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, lutando por um país...

Mandato de 12 anos para ministros do STF

A OAB de São Paulo, o Instituto dos Advogados de São Paulo e a Associação dos Advogados — três entidades representativas da advocacia paulista — têm apontado que a perda de credibilidade do Supremo Tribunal Federal decorre do fato de a Corte ter deixado de...

Nove minutos em Copacabana e a conta que nenhum candidato apresenta

Quatro homens executaram uma sentença de morte na calçada por suspeita de furto de bicicleta, e nenhum deles era policial. Enquanto os presidenciáveis prometem prisão perpétua e importam o rigor de outros países, ninguém explica quem paga a conta nem por...

Redes sociais explicam, em números, o poder do Caso Master em impulsionar crises políticas

Há algumas semanas, abordei em um levantamento o período de mais de um mês que torcida do Corinthians levou para produzir cerca de 43 mil menções à hashtag #FicaMemphis, nas redes sociais, e forçar o clube a reabrir uma negociação que já era tratada como...

Split payment deve ficar para 2028, mas o impacto no caixa começa agora

A previsão de que o split payment se torne obrigatório apenas em 2028 foi recebida por parte do mercado como um alívio. Eu faço uma leitura diferente: as empresas ganharam mais tempo para se preparar, mas isso não significa que possam adiar a preparação. A...

Brasil medieval

Esta não é uma história de ficção; é baseada em fatos reais. A temida Inquisição (séc. XII e XIII) da Idade Média queimava pessoas vivas. Quando não havia provas para condená-las, alegava-se bruxaria ou curandeirismo. A partir do séc. XV, já na Idade...