José Knopfholz


Durante muito tempo, o infarto agudo do miocárdio foi visto como uma condição exclusiva de pessoas acima dos 50 anos. No entanto, nas últimas décadas, tem-se observado um aumento preocupante na incidência de infartos em adultos jovens, com menos de 45 anos. Embora ainda representem uma minoria dos casos, a tendência crescente chama atenção de cardiologistas e pesquisadores. Essa mudança de perfil exige uma reavaliação de hábitos de vida e maior vigilância sobre os fatores de risco em faixas etárias mais precoces.

Entre os principais motivos para o infarto em jovens estão os mesmos mecanismos fisiopatológicos observados em idosos: obstrução das artérias coronárias por placas de gordura, levando à interrupção do fluxo sanguíneo para o coração. No entanto, em jovens, há um peso maior de causas evitáveis e comportamentais, como tabagismo, uso de drogas ilícitas (especialmente cocaína), estresse extremo e dislipidemias hereditárias (aumento de certos tipos de gorduras no sangue). Em alguns casos, anomalias congênitas das artérias coronárias ou doenças autoimunes também podem estar envolvidas.

Os fatores de risco mais frequentemente associados ao infarto precoce incluem histórico familiar de doença cardíaca, colesterol alto, hipertensão arterial, obesidade, diabetes tipo 2 e sedentarismo. Além disso, o consumo excessivo de álcool, dietas ricas em gorduras saturadas e o uso de anabolizantes são mais comuns entre os jovens afetados. Importante também destacar o papel da saúde mental: ansiedade, depressão e jornadas de trabalho extenuantes contribuem para níveis elevados de estresse, que podem acelerar processos inflamatórios e aumentar o risco cardiovascular.

A prevenção é a principal aliada contra o infarto em jovens. Isso inclui mudanças no estilo de vida, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso, não fumar e evitar o consumo de substâncias nocivas. Exames periódicos, mesmo em pessoas aparentemente saudáveis, são fundamentais para detectar precocemente alterações como hipertensão, diabetes e colesterol alto. Jovens com histórico familiar de doença cardíaca devem ter atenção redobrada e buscar orientação médica especializada.

Outro ponto essencial é a educação em saúde. Muitos jovens não se reconhecem como parte do grupo de risco para doenças cardiovasculares e, por isso, não adotam medidas preventivas. Campanhas de conscientização, especialmente nas escolas, universidades e ambientes de trabalho, podem ajudar a promover comportamentos mais saudáveis desde cedo. Além disso, o uso de tecnologias, como aplicativos de monitoramento da saúde e wearables, podem ser aliados importantes no engajamento do público jovem.

Por fim, é fundamental que os serviços de saúde estejam preparados para reconhecer os sinais de infarto em jovens, que às vezes podem ser atípicos ou menos intensos do que nos idosos. Dor no peito, falta de ar, palpitações e mal-estar súbito devem ser levados a sério, independentemente da idade. Diagnóstico precoce e atendimento rápido são cruciais para reduzir complicações e salvar vidas. O infarto em jovens é uma realidade que precisa ser encarada com seriedade, tanto pela sociedade quanto pelos profissionais de saúde.


José Knopfholz – Médico cardiologista, mestre em Ciências da Saúde, doutor em Medicina Interna, especialista em educação em saúde e decano da Escola de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). É também especialista da plataforma de Carreira Médica PUCPR.


Destaque – Imagem: aloart / G.I.


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