Especialista aponta impactos nos combustíveis, transporte e custos produtivos.
A cotação internacional do petróleo voltou a chamar a atenção do mercado na sexta-feira (6) ao superar a marca de US$ 90 por barril, impulsionada pelas preocupações de investidores com possíveis impactos no abastecimento global diante da escalada de tensões no Oriente Médio.
Nesta segunda-feira (9), chegando ao décimo dia do conflito, o preço do barril já ultrapassa US$ 100. O movimento reacende o alerta sobre efeitos em cadeia na economia mundial, especialmente sobre combustíveis, transporte, inflação e custos de produção.
“A referência internacional do petróleo do tipo Brent crude oil ultrapassou patamares elevados recentemente, refletindo um conjunto de fatores que envolvem tensões geopolíticas, cortes na produção e expectativas de crescimento da demanda global. Países membros da Organization of the Petroleum Exporting Countries (OPEP) e seus aliados têm mantido uma política de controle da oferta, reduzindo a produção com o objetivo de sustentar os preços no mercado internacional”, explica Marina Prieto, professora e coordenadora do curso de Ciências Contábeis da Estácio.
Segundo a professora, fatores geopolíticos também desempenham papel central no comportamento do mercado.
“Entre os principais fatores que explicam a alta está o cenário geopolítico. Conflitos e instabilidades em regiões produtoras, especialmente no Oriente Médio, costumam gerar receio de interrupção no fornecimento global. Além disso, sanções econômicas e disputas comerciais também interferem no equilíbrio entre oferta e demanda.”
No Brasil, as oscilações do petróleo internacional costumam refletir diretamente nos preços dos combustíveis, já que a política de preços da Petrobras leva em consideração as condições do mercado global.
“Esse movimento pode gerar impactos relevantes na inflação. O aumento dos combustíveis eleva o custo do transporte de mercadorias e serviços, afetando cadeias produtivas inteiras. Como consequência, produtos básicos, alimentos e serviços podem sofrer reajustes, pressionando o orçamento das famílias”, destaca Marina.
Mesmo com o avanço das energias renováveis, o petróleo segue como um insumo essencial para a economia mundial. Para a especialista, a volatilidade da commodity deve continuar influenciando o cenário econômico global nos próximos anos, sendo acompanhada de perto por governos, empresas e investidores.
Destaque – Imagem: aloart / G.I.



