Pesquisa de preços, reaproveitamento de itens e forma de pagamento influenciam o custo da lista escolar.


O começo do ano concentra algumas das maiores despesas do orçamento familiar, e o material escolar está entre os itens que mais pesam. Dados do Instituto Locomotiva e da QuestionPro mostram que 88% das famílias sentem impacto direto no orçamento nesse período. Os gastos já ultrapassaram R$ 49 bilhões no país, e levantamentos de Procons estaduais indicam que o mesmo item pode variar até 250% entre lojas, reforçando a importância de pesquisar preços antes da compra.

Para Gabriel Eisner, consultor financeiro da Mhydas Planejamento Financeiro, o período é crítico por misturar despesas obrigatórias e decisões de consumo emocionais. “O principal cuidado é separar necessidade de desejo. Muitas listas incluem itens que podem ser reaproveitados ou substituídos por versões mais simples, sem prejuízo ao aprendizado”, diz.

Comprar toda a lista em uma única loja, sem comparar preços, pode aumentar o custo em até 30%. “Lojas compram de fornecedores diferentes e repassam os custos ao consumidor. Um mesmo produto pode estar mais caro em um lugar e mais barato em outro”, explica Eisner. A dica é comparar item a item, aproveitando os melhores preços de cada loja, o que gera economia significativa, especialmente em listas longas.

O especialista alerta ainda para verificar se a escola solicita materiais de uso coletivo, que por lei devem ser fornecidos pela instituição. “Conferir isso evita gastos desnecessários”, completa.

Reaproveitamento e planejamento

Itens como mochilas, estojos, réguas, tesouras e cadernos com folhas em branco podem ser reutilizados. Revisar a lista e confirmar com a escola o que é realmente obrigatório também ajuda a reduzir compras imediatas.

Comparar papelarias físicas, atacarejos e e-commerces é essencial em um cenário de inflação. Diferenças de preço podem representar centenas de reais. Compras coletivas e evitar produtos com personagens licenciados, que podem custar até o dobro, também são estratégias eficazes.

Pagamento à vista ou parcelado?

Segundo Eisner, pagar à vista só compensa quando o desconto supera 15%, considerando a Selic atual. Descontos pequenos não superam os rendimentos de investimentos. Por outro lado, parcelar sem planejamento pode comprometer o orçamento, especialmente no primeiro trimestre, quando IPTU, IPVA e rematrículas também pesam.

Planejamento é a chave

Mapear os gastos de janeiro e fevereiro ajuda a evitar decisões impulsivas e priorizar o que importa. Criar um caixa específico ou reforçar a reserva de emergência torna o período mais tranquilo. “Planejamento financeiro não é cortar qualidade de vida, mas ter previsibilidade. Com organização, a família reduz o estresse e atravessa o primeiro trimestre com mais segurança”, finaliza Eisner.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


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