Há uma ciência por detrás da capacidade de nos apaixonarmos. Sentir amor é uma necessidade da espécie para sobreviver e que pode ser encarado como um processo puramente biológico. Será que estamos cada vez mais perto de entender como funciona?

Por Dra. Ana Catarina Félix


É no sistema límbico que se processam as nossas emoções: ele é o responsável pelo comportamento humano, onde se incluem os traços da nossa personalidade, os nossos pensamentos e memória, assim como a nossa reação aos estímulos externos. De acordo com Semir Zeki do Departamento de Pesquisa Celular e Biologia do Desenvolvimento, da University College of London (UCL – Research Department of Cell and Developmental Biology), quer no amor maternal, quer na paixão, são ativadas zonas no sistema límbico do cérebro relacionadas com os circuitos de recompensa e desativadas regiões associadas a emoções negativas e de julgamento social.

Oxitocina: a droga do amor

Deste complexo sistema fazem parte órgãos como o hipotálamo que, quando é acionado pela paixão, liberta a dopamina no organismo, provocando sensações de excitação e euforia. O hipotálamo produz ainda a oxitocina e a vasopressina, responsáveis por sentimentos de empatia e compromisso. Esta é, aliás, a hormona responsável por quase toda a ligação social e formação de laços entre os mamíferos.

Um estudo feito com cobaias pelo neuroendocrinologista sueco Kerstin Unäs Moberg, demonstrou que altos níveis de oxitocina provocavam a queda da pressão arterial, libertação de doses de insulina natural e aumento da capacidade de cicatrização. Os animais apresentavam, assim, calma e tolerância face a situações repetitivas, bem como uma maior disposição para a interação social.

Porque dizemos que o amor é cego?

Está provado também que a entrada da oxitocina na corrente sanguínea desativa a nossa capacidade de julgar o outro, de forma a que este se sinta menos ameaçado e a relação possa surgir. A ciência avança agora com mais certezas sobre este sentimento, a que a poesia já tinha dado corpo: o amor faz-nos sentir bem, mas também é cego e surdo.

Quais as vantagens deste sentimento e os quais os efeitos da sua “falta”?

A ciência prova que uma vida sem amor pode influenciar negativamente o nosso bem-estar.

O amor pode trazer vantagens para a saúde física e mental de cada um de nós. E, mesmo que não se encontre em relações familiares e amorosas, pode sentir sempre estes efeitos com amigos e pessoas que lhe proporcionem esta emoção e que façam com que sinta segurança e tranquilidade.


Dra. Ana Catarina Félix integra as equipes de Neurologia do Hospital Lusíadas nas cidades de Albufeira, Faro e Vilamoura – Portugal


Destaque – Imagem: HL / Divulgação / +aloart / GI


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